ANASTÁCIO AGUIAR

Qual é (seria) a natureza última da Realidade? ou O que está por trás de tudo?

05/02/2018 09h11 - atualizado 09h13

Essa não é a primeira vez que alguém se faz essa pergunta e certamente não será a última. Pois bem, apesar da complexidade do tema, fica aqui a minha singela contribuição.

Parece-me que um dos primeiros pensadores a tratar da questão foi Platão, com o seu genial "Mundo das Ideias", criado provavelmente como a contribuição platônica para o entendimento do debate entre Parmênides e Heráclito. Em sua concepção, o "Mundo das Ideias" é imutável, eterno e real, enquanto o "Mundo Sensível" da nossa realidade material é mutável, passageiro e ilusório. Assim, nessa dimensão da matéria existiriam somente cópias das Formas verdadeiras do outro mundo. Entendia ainda que seria a Razão que permitiria o conhecimento das verdades eternas que se encontrariam no referido mundo perfeito.

Muitos outros pensadores deram a sua contribuição sobre a temática, destaco aqui Baruch de Spinoza que ao se referir ao gênero do conhecimento, dizia que havia três: o primeiro seria aquele referente às ações humanas pautadas apenas na consciência de suas ações, enquanto ignoram as causas determinantes; o segundo seriam as noções comuns e as ideias em abstrato. Já a terceira seria vinculada à compreensão nas coisas singulares, o aspecto da eternidade, conhecido como a Beatitude.

Tantos anos passados após os mestres ateniense e holandês e ainda nos debatemos com insondáveis questionamentos sobre a natureza última da Realidade. Hodiernamente, possuímos um vasto conhecimento em todas as áreas e não chegamos a qualquer solução para o debate. Muito pelo contrário, dispomos hoje de várias novas teorias que parecem tornar cada vez mais distantes a retirada do Véu de Isis, tais como: Teoria da Matrix, que remete à possibilidade de que sejamos apenas um programa de computador sendo rodado por uma outra Realidade/Dimensão; Teoria da Projeção Holográfica ou Universo Holograma, que a nossa realidade seria uma projeção holográfica de uma outra; Teoria Ufológica do Zoológico, de que seríamos uma realidade supervisionada por outra superior; ou Teoria Niilista, que aponta para a inexistência de nada após esta encarnação, ou como alguns preferem, encadernação. Em verdade, existem outras tantas explicações que ora complementam, ora se sobrepõem às citadas soluções acadêmicas.

Como consolo, poder-se-ia afirmar que mesmo que a Razão e a Beatitude não tenham sido capazes de nos guiar na escalada olimpiana do Absoluto, têm sido ferramentas de valor inestimável no singramento dos revoltos mares do Relativo, a primeira como leme e a segunda, como vela.

Pois bem, diante de tanta dúvida acrescento a minha experiência clínica com a realização da regressão na terapia psicanalítica. Para alguns pacientes, sugiro a realização da hipnose regressiva quando outras ferramentas não surtem os efeitos terapêuticos desejados. Tenho “visto” várias narrativas que ora reforçam uma, ora reforçam outra(s) das teorias acima destacadas. Como o meu foco na realização da regressão é exclusivamente terapêutico, e não investigativo, não tenho dado sequência em puxar o fio de Ariadne. Quem sabe um dia?!?