ANASTÁCIO AGUIAR

Sombra, aliada ou inimiga, é você quem decide! ou Função reguladora dos contrários

08/11/2018 10h02 - atualizado 13h38

Invariavelmente, surge na clínica psicanalítica o assunto Sombra. Dentre os vários mal entendidos que permeiam a temática, destaca-se a noção de que ela tem que ser reprimida, evitada, escondida ou até mesmo anulada. Pois bem, este equívoco só potencializa as neuroses do paciente, senão vejamos.

É na Sombra que reside o potencial a ser desenvolvido pelo indivíduo. É ela quem faz o par oposto com a Persona e a evolução emocional de cada um de nós passa pela sua integralização à psique por meio do processo compensatório.

Imaginemos um caso de alguém que tenha um grave problema de baixa auto estima, gerando um complexo de inferioridade. Seu mundo interno está carente e vulnerável. Para que ele/ela possa atingir o equilíbrio das energias psíquicas, tenderá a realizar no mundo externo atos que compensem a sua dor interna. Esses atos tendem a ser comportamentos que maximizem (no mundo externo) o que lhe falta no mundo interno. Assim, quando inconsciente das suas atitudes, terá grandes chances de se dedicar ao apego, afetação, vaidade e controle, circunstâncias que criarão um ambiente artificial compensatório da sua aflição (interna), gerando uma falsa sensação de bem-estar, que será tão fugaz quanto maior for a sua agonia interior.

O sofrimento, oriundo da negação da Sombra, ao mesmo tempo que esfolia, consume, desgasta e suga a pessoa, dá a ela o azimute a ser seguido para a cura. Ele perdurará o tempo necessário ao indivíduo tomar consciência da sua Sombra, aceitá-la e integralizá-la à psique. Por óbvio, na prática, este não é um processo simples, mas necessário e fundamental para o resgate da saúde mental.

Destaco, por pertinência, as sábias palavras do grande pensador e amigo Cláudio Guterres: "No Sublime encontra a paz e a harmonia, que só não são perfeitas porque precisam ser trabalhadas na forma de espargimento de seus efeitos a iluminar os muitos grotões mal iluminados; então, volta-se ao grotesco, mas que quando lá chega, obscurecido(a) com o propósito inicial ao adentrar em densidade tão opaca, busca o equilíbrio que apenas o Sublime possibilita; então, surge a magia da criação do pensamento elevado, imortalizado em gotas decisivas de tintas nos papiros da vida."