Política

Bolsonaro diz que ainda realizará 'sonho' de ter Ramagem na PF

'Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desmontar a nossa Constituição', disse o presidente, que não citou o nome de Alexandre de Moraes.

Por  Estadão Conteúdo
29/04/2020 17h52 - atualizado 17h55

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, 29, que, mesmo tendo cancelado a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal, não desistiu do sonho de ter o delegado à frente da corporação no futuro. Bolsonaro deu o recado ao participar da cerimônia de posse do ministro da Justiça, André Mendonça, e do advogado-geral da União, José Levi, quando pediu respeito à Constituição e pregou a autonomia entre os Poderes.

Sem citar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que suspendeu a posse de Ramagem, sob o argumento de que a nomeação apresentava indícios de “desvio de finalidade”, Bolsonaro atacou a decisão “monocrática” do magistrado. “Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desmontar a nossa Constituição”, disse ele, ao acrecentar que gostaria de “honrar” o delegado, dando-lhe posse como diretor-geral da PF.

“Eu tenho certeza que esse sonho meu, mais dele, brevemente se concretizará para o bem da nossa Polícia Federal e do nosso Brasil", discursou Bolsonaro, ao lado do presidente do Supremo, Dias Toffoli, e do ministro Gilmar Mendes.

"Uma das posições importantes, e quem nomeia sou eu, é o do diretor-geral da Polícia Federal. A nossa Polícia Federal não persegue ninguém a não ser bandidos. Um pequeno parêntese, respeito o Poder Judiciário. Respeito as suas decisões, mas nós com toda certeza antes de tudo respeitamos a nossa Constituição", disse Bolsonaro.

O presidente afirmou que Ramagem é um homem "honrado, com vasto conhecimento, à altura de desempenhar e de ser o chefe de segurança da Presidência da República".

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Bolsonaro acata ordem do Supremo e revoga nomeação de Ramagem

Covid-19: não vão botar no meu colo essa conta, diz Bolsonaro sobre mortes

Decreto de Bolsonaro amplia lista de serviços que podem funcionar