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Brasileira é um dos três mortos no ataque terrorista na França

Informação foi confirmada pelo Itamaraty; segundo a 'Rádio França Internacional', Simone, ensanguentada, procurou ajuda em um restaurante em frente à catedral invadida pelo agressor.

Por  Estadão Conteúdo
30/10/2020 09h05

Uma baiana de 44 anos, mãe de três filhos e que vivia na França havia mais de três décadas foi uma das três vítimas do ataque de hoje de manhã em Nice, na França. A informação foi confirmada em nota pelo governo brasileiro e divulgada por vários veículos de comunicação franceses. No atentado, um homem armado com uma faca atingiu várias pessoas na saída da catedral de Notre-Dame de Assunção, ferindo também várias delas.

A Rádio França Internacional identificou a brasileira como Simone Barreto Silva e conversou com uma prima sua, que preferiu não se identificar. Ela relatou que Simone foi ferida a facadas e morreu num restaurante onde, ensanguentada, tentou se refugiar, quase em frente à catedral.

  • Foto: Lavage de la MadeleineSimone Barreto Silva, uma das vítimas do ataque terrorista na FrançaSimone Barreto Silva, uma das vítimas do ataque terrorista na França

Uma reportagem da TV France Info conversou com Brahim Jelloule, um dos proprietários do restaurante l’Unik, onde Simone buscou ajuda em estado grave. “Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja", relatou ele.

De acordo com o jornal francês Le Parisien, pelo menos uma das vítimas foi degolada pelo agressor, que tentou se esconder em um banheiro dentro da igreja após o ataque. O homem foi baleado e preso pela polícia.

Ainda de acordo com a RFI, o irmão de Jelloule e o funcionário chegaram a entrar na igreja. Eles viram o homem armado com uma faca, foram ameaçados por ele e saíram correndo. Em seguida, chamaram a Polícia. Segundo Jelloule, Simone morreu uma hora e meia depois de ter sido ferida. Muçulmano, Jelloule contou à RFI que estava chocado com o atentado: “Isso não é o Islã. Eu conheço o Alcorão de cór, e não é isso que ele prega”, disse.

"Digam a meus filhos que eu os amo", teria conseguido dizer pouco antes de morrer, segundo depoimentos de testemunhas divulgados pelo canal BFMTV.

"O presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como aos das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e governo franceses", diz a nota do Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty informou que, por meio do Consulado-Geral em Paris, presta assistência consular à família da cidadã brasileira vítima do ataque.

Ainda de acordo com o Le Parisien, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, teria afirmado que o homem, enquanto era socorrido, repetia a frase "Allahu Akbar" ("Alá é grande", em português). Em uma publicação no Twitter, Estrosi comparou o ataque em Nice ao do professor Samuel Paty, morto há 13 dias por um adolescente muçulmano após mostrar caricaturas do profeta Maomé durante uma aula.

A primeira vítima do ataque em Nice foi encontrada perto da entrada principal da catedral. Era uma mulher de 60 anos que foi degolada. A segunda era o sacristão Philippe Asso, morto com facada. Simone, a terceira vítima, nasceu no bairro de Lobato, na Cidade Baixa, e vivia havia 30 anos na França, segundo depoimento da família à RFI.

Na nota, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o "Brasil expressa seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma seu compromisso de trabalhar no combate e erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa em todo o mundo".

"Neste momento, o governo brasileiro manifesta em especial sua solidariedade aos cristãos e pessoas de outras confissões que sofrem perseguição e violência em razão de sua crença."

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