Saúde

Com surto de coronavírus na Itália, Bolsas fecham com queda generalizada

Desdobramentos de epidemia na Itália e na Ásia afetam os mercados; Bolsa de Milão caiu 5,43%, a de Londres 3,34% e a de Paris, 3,94%.

Por  Estadão Conteúdo
24/02/2020 15h58 - atualizado 17/03/2020 10h39

As bolsas europeias fecharam o pregão desta segunda-feira, 24, com robustas perdas, à medida que a rápida propagação do coronavírus intensificou temores sobre o impacto da doença na economia global. Na Europa, a maior preocupação é com a Itália, que já registrou mais de 200 casos de coronavírus e seis mortes. O surto se concentra principalmente no norte do país, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena.

O índice acionário italiano FTSE-Mib liderou as perdas no continente europeu, com um tombo de 5,43% em Milão, a 23.427,19 pontos.

Mas em outras partes da Europa a desvalorização das bolsas foi igualmente acentuada. O FTSE-100 caiu 3,34% em Londres, a 7.156,83 pontos, enquanto o DAX-30 recuou 4,01% em Frankfurt, a 13.035,24 pontos, e o CAC-40 cedeu 3,94% em Paris, a 5.791,87 pontos. Em Madri, a baixa do IBEX-35 foi de 4,07%, a 9.483,50 pontos, e, em Lisboa, o PSI-20 registrou perda de 3,53%, a 5.197,09 pontos.

O índice pan-europeu Stoxx-600 fechou em queda de 3,79%, a 411,86 pontos, influenciado principalmente por ações de companhias aéreas. A EasyJet, por exemplo, despencou 16,67% em Londres e a Air France-KLM caiu 8,68% em Paris.

O novo coronavírus já infectou mais de 79 mil pessoas em todo o mundo. A China, onde a doença se originou, ainda é responsável pela maior parte dos casos e óbitos. Nos últimos dias, porém, o contágio avançou não apenas na Itália, mas também na Coreia do Sul e no Irã.

Apesar da disseminação da doença, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou a possibilidade de pandemia. "No momento, não vemos avanço global incontido do vírus e não vemos mortes em alta escala", disse. "O vírus tem potencial pandêmico? Com certeza. Estamos lá? Achamos que ainda não", acrescentou.

Bolsas da Ásia

As bolsas asiáticas também fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira, em meio a crescentes temores com a disseminação do coronavírus. A situação é particularmente preocupante na Coreia do Sul, que divulgou mais um salto no número de casos da doença, de 231, que eleva o total acumulado para 833. Já o número de mortos por coronavírus na Coreia chegou a sete. Com o avanço da epidemia, o governo sul-coreano elevou seu alerta para o coronavírus ao maior nível possível.

Na China, foram relatados mais 409 novos casos e 150 mortes. Com a atualização, o total de casos confirmados no país desde o início do surto atingiu 77.150, com 2.592 mortes. O índice acionário Kospi liderou as perdas na Ásia hoje, encerrando o pregão com queda de 3,87% em Seul, a 2.079,04 pontos.

Em outras partes da Ásia, o chinês Xangai Composto recuou 0,28%, a 3.031,23 pontos, o Hang Seng caiu 1,79% em Hong Kong, a 26.820,88 pontos, e o Taiex cedeu 1,30% em Taiwan, a 11.534,87 pontos. No Japão, um feriado local manteve a Bolsa de Tóquio fechada. Exceção, o Shenzhen Composto - que é composto por empresa chinesas de menor valor de mercado - avançou 1,36%, a 1.933,36 pontos.

Como já havia sinalizado na semana passada, a China decidiu hoje adiar a reunião de cúpula anual do Congresso Nacional do Povo, que estava prevista para começar dia 5 de março. Na Oceania, a bolsa australiana registrou hoje sua maior perda do ano em um único pregão. O S&P/ASX 200 caiu 2,25% em Sydney, a 6.978,30 pontos, eliminando num único dia os ganhos acumulados em quase três semanas.

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