Teresina - PI

Comerciantes temem prejuízos com reforma do Mercado do Renascença

A principal reclamação dos permissionários é sobre o tamanho dos pontos, que com a proposta da reforma vão diminuir pela metade.

Brunno Suênio
Teresina
29/10/2019 17h29 - atualizado 17h31

Permissionários do mercado do Renascença II

Mais de 20 comerciantes do Mercado do Renascença II, zona sudeste de Teresina, estão receosos com a proposta de reforma da estrutura do local, apresentada pela Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sudeste.

O GP1 acompanhou de perto a situação dos permissionários que temem prejuízos com a redução do espaço atual que, com a reforma, reduzirá mais da metade, conforme explica o comerciante Raimundo Gaudino, que tem uma loja de variedades em frente à Rua Jornalista Lívio Lopes, há cerca de 20 anos.

“Na realidade, nós não somos contra a reforma do mercado, o que nós queremos é que eles tenham consciência que o tamanho do ponto que estão nos oferecendo não é suficiente para expor a nossa mercadoria. Se for para ficar no mesmo local onde estou, eles estão me dando um ponto de 3,70m x 2,80m, algo em torno de 10m². Eu tenho uma área total de 20m² e para mim não é satisfatória essa mudança. A SDU precisa reavaliar melhor, pois não sou apenas eu que está nessa situação, nós temos 10 permissionários na frente do mercado e sete lojas de variedades. Por esse motivo, estamos querendo chegar a esse consenso com a SDU”, explicou o comerciante.

Raimundo avaliou ainda que com a reforma, as lojas de variedades serão realocadas na parte interior do mercado, situação que para o comerciante vai causar impacto direto nas vendas.

Apenas três pontos serão mantidos nos locais atuais, como é o caso da loja de construções do senhor Francisco Alves dos Santos, no entanto, a reforma também reduzirá o tamanho da estrutura do comerciante que atualmente é de mais de 100m².

“Contando os dois pisos, dá algo em torno de 130m². Lá eu tenho três pais de família e uma mãe de família sobrevivendo no local. Eu não faço questão pelo segundo piso, mas eu continuando na parte de baixo, que hoje é de 70m², dava para eu trabalhar e continuar com os meus colegas. Eu não estou vendo apenas o meu lado, mas o da coletividade. Eu estou há 21 anos trabalhando, pagando imposto, tenho alvará, recolho todo mês, então não vejo motivo para tirar a gente do nosso sustento”, lamentou Francisco Alves.

O que diz a SDU Sudeste

Em entrevista ao GP1 na manhã desta terça-feira (29), o superintendente Evandro Hidd afirmou que a reforma do Mercado do Renascença será realizada utilizando o atual espaço, no entanto, a estrutura terá que passar por algumas alterações com as instalações de áreas para estacionamento, banheiros com acessibilidade, DOCA e administração.

“A partir do momento em que a gente se propõe a fazer um mercado eu tenho que ter, por exemplo, DOCA para receber caminhão com material, administração, banheiros, inclusive com acessibilidade e estacionamento, tudo isso dentro da área que já existe. Então são espaços a mais a serem ocupados, além do corredor”, pontuou o superintendente.

  • Foto: Alef Leão/GP1Superintendente da SDU Sudeste, Evandro HiddSuperintendente da SDU Sudeste, Evandro Hidd

De acordo com Evandro Hidd, na última sexta-feira (25) foi apresentada a proposta para que as lojas de variedades possam ficar com o mesmo tamanho, porém na parte interna do mercado, ou que permaneçam onde estão com o tamanho padrão de cerca de 12m². “A gente apresentou uma situação, eles ponderaram, nós reformulamos isso, ficando um pouco mais de 12m² e também ofertamos a parte interna, deixando todos eles juntos com o mesmo tamanho, pois eu consigo modular na área interna, mas a proposta deles é permanecer do mesmo tamanho e ficando no mesmo lugar. Essa ocupação foi feita de forma desordenada e a gente vai padronizar tudo na base da conversa ”, acrescentou.

A reforma do Mercado do Renascença está orçada em aproximadamente R$ 3,5 milhões com previsão para ser iniciada até o mês de janeiro.

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