Saúde

Comissão de ética em pesquisa optou por manter estudo da vacina Coronavac

Órgão que regula estudos com humanos no Brasil considera que informações disponíveis até o momento indicam que óbito não teve relação com imunizante.

Por  Estadão Conteúdo
10/11/2020 16h51

A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão responsável por regular os estudos com seres humanos no País e garantir a segurança aos voluntários, também foi informada sobre a morte de um voluntário da vacina Coronavac, mas decidiu manter, ao menos por enquanto, os testes do imunizante. Na avaliação do órgão, as evidências apresentadas até agora indicam que o óbito não teve relação com a vacina.

"Recebemos a notificação no dia 6 e chamamos uma audiência com os pesquisadores para aquele dia mesmo, à noite, para pedir alguns esclarecimentos. Com as informações prestadas, apesar de ainda preliminares, tudo indica não há relação com a vacina e não vimos necessidade de interromper os testes", disse Jorge Venâncio, coordenador da Conep.

Venâncio disse que a decisão final da Conep só será tomada quando ele receber o relatório do comitê independente do estudo, formado por especialistas de fora que avaliam os dados da pesquisa. A expectativa é que o documento seja entregue à comissão ainda nesta terça.

A postura foi diferente da adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que suspendeu os testes na noite de segunda-feira, 9. Segundo o Instituto Butantã, que conduz a pesquisa da Coronavac, os técnicos da agência federal tomaram a decisão sem pedir esclarecimentos para os pesquisadores, o que causou estranheza e suspeita de que o órgão estaria sofrendo interferência política da gestão Jair Bolsonaro, que vive fazendo críticas à vacina do Butantã.

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