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Covid-19: França e Alemanha estudam implantar novo lockdown

Presidente da Federação Francesa de Hospitais disse que os clínicas estavam em uma situação muito mais precária do que no segundo trimestre.

Por  Estadão Conteúdo
28/10/2020 13h35

Após relatar 523 mortes na terça-feira, 27, o maior número do país desde o final de abril, a França prepara, nesta quarta-feira, restrições mais rígidas ao coronavírus antes de um discurso do presidente Emmanuel Macron. As medidas podem variar de um toque de recolher noturno ou final de semana prolongado a um lockdown de semanas.

A vizinha Alemanha, em meio a um número recorde de infecções também propõe um plano de fechamento de restaurantes, bares, academias, teatros e museus, enquanto mantém abertas escolas, creches, lojas e cabeleireiros.

O acordo para impor uma paralisação parcial de um mês foi acertado pela chanceler Angela Merkel depois de conversas com líderes dos 16 Estados do país, afirmou a Bloomberg. O plano, rotulado de “luz de lockdown” pela mídia alemã, entraria em vigor na próxima semana e duraria até novembro.

De acordo com a proposta, as regras, que como as da França seriam menos rígidas do que as impostas em março, teriam como objetivo limitar o número de infecções até o Natal para que amigos e familiares pudessem se encontrar novamente.

“Sabemos como nos proteger”, disse Merkel na terça-feira, alertando que, sem agir de acordo, “acabamos voltando a situações extremamente difíceis”.

Países europeus tentam conter segunda onda

Durante semanas, os países europeus tentaram retardar a propagação de uma segunda onda de infecções por coronavírus por meio de restrições específicas e localizadas, destinadas a evitar os lockdowns nacionais impostos na primavera do hemisfério norte.

Frédéric Valletoux, presidente da Federação Francesa de Hospitais, disse na quarta-feira que os hospitais estavam em uma situação muito mais precária do que no segundo trimestre, com a equipe esgotada desde a primeira onda, menos margem de manobra para adiar tratamentos ou cirurgias para abrir espaço para pacientes da covid-19 e outras epidemias como a gripe que vem com o inverno.

“Os hospitais não vão aguentar se não tomarmos medidas drásticas”, disse Valletoux.

Os números crescentes relatados em toda a Europa nesta semana sugerem que os esforços para evitar lockdowns nacionais fizeram pouco para conter a propagação da pandemia.

Na Grã-Bretanha, que relatou 367 mortes na terça-feira, o primeiro-ministro Boris Johnson enfrentou apelos por um novo lockdown nacional, já que o órgão consultivo do governo, conhecido como SAGE, o alertou que a segunda onda poderia ser mais mortal do que a primeira, de acordo com o The Telegraph.

Com mais de 61.000 mortes por coronavírus, a Grã-Bretanha foi o país mais atingido na Europa, com um aumento de mortes em excesso que não atingiu os picos vistos na Itália ou na Espanha, mas que durou mais.

A Espanha também cogita um novo lockdown nacional, com o País Basco fechando as fronteiras da região e as autoridades regionais em Madri considerando uma medida semelhante. Na região alemã da Baviera, as autoridades colocaram dois distritos sob lockdown estrito e, na Itália, um toque de recolher para bares e restaurantes e o fechamento de academias públicas, cinemas e piscinas levaram a protestos contra o lockdown.

Na França, os líderes empresariais expressaram temor de que um novo lockdown seja fatal para muitas empresas, mas médicos e especialistas médicos dizem que é necessário.

A União Europeia pediu na quarta-feira por testes aprimorados e por uma melhor coordenação do que tem sido uma colcha de retalhos de medidas díspares em seus países membros.

“Estamos profundamente na segunda onda agora”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, braço executivo do bloco, em entrevista coletiva. “Nossas expectativas são de que esses números aumentem nas próximas semanas e aumentem rapidamente.”

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