Pedro II - PI

Criança espera 12h para receber soro após ser picada por cobra em Pedro II

“O menino só foi transferido para Teresina depois que a mãe dele cobrou do hospital e falou com a enfermeira que ele estava com dor de cabeça, suando muito e ficando esmorecido", disse uma amiga.

Camilla Menezes
Teresina
Fábio Wellington
Teresina
18/09/2020 20h37 - atualizado 19/09/2020 13h23

Uma criança identificada como Wesley Luan Gomes Viana, de 9 anos, foi picada por uma cobra cascavel quando estava caminhando com o pai, por volta de 9h da manhã desta quinta-feira (17), no povoado da Mangabeira, localizado no município de Pedro II. O menino estava brincando com uma baladeira, tentando pegar um pássaro, quando avistou a cobra e foi picado no pé.

Segundo informações de uma amiga da família, que não quis se identificar, Wesley foi levado pelos seus pais para o hospital após o acidente. “O menino foi levado pelos pais para o Hospital Josefina Getirana Neta, mas no local não havia médicos. Liguei para um funcionário de lá e ele me informou que a ausência de médicos era por conta do horário, pois era muito cedo, sendo que lá é um hospital de urgência”, contou.

Os pais da criança a levaram em seguida para outro hospital, onde ela ficou internada até ser transferida para Teresina. “Depois de sair do Hospital Josefina, foram para o Hospital Santa Cruz. Mesmo tendo médicos e enfermeiros lá, não solicitaram a imediata transferência do menino para um local onde pudesse tomar o soro. Alguns familiares me contaram que o soro que ele tomou não era para cascavel, mas isso não posso confirmar”, continuou.

A amiga da família relatou que Wesley foi transferido para a capital somente de noite, após a mãe da criança conversar com os médicos. “O menino só foi transferido para Teresina depois que a mãe dele cobrou do hospital e falou com a enfermeira que ele estava com dor de cabeça, suando muito e ficando esmorecido. A profissional disse que o suor do menino era o veneno da cobra saindo do corpo dele. Ele foi transferido quando uma médica chegou lá, por volta de 18h, e pediu a imediata transferência para Teresina”, disse.

A criança conseguiu tomar o soro antiofídico, indicado para picadas de serpentes, quando chegou ao Hospital Natan Portela. “Wesley só tomou o soro antiofídico por volta de 22h, mais de 12 horas depois de ser picado, quando o ideal é até no máximo 3 horas para que os efeitos sejam mínimos e o risco de morte seja menor. A enfermeira me disse ontem que depois de todas as avaliações e exames ele foi para a UTI. Estava sondado e com auxílio de oxigênio, os sinais vitais estavam bons, mas ele foi para a UTI por estar com as funções renais comprometidas, por causa da imensa demora para tomar o soro”, contou a amiga da família.

O menino ainda está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não há informações sobre a atual situação de suas funções renais. “O médico que está cuidando dele me informou que ele está estável, não corre risco de morte, mas ainda não dá para saber como estão suas funções renais, porque foi a mais prejudicada por conta da demora. A mãe dele entra um pouco em desespero em cada procedimento médico que é feito, porque ele chora, tem uns procedimentos que realmente doem. Todo mundo está muito assustado com a irresponsabilidade do pessoal do hospital de Pedro II, porque se não tinha um suporte, deveriam mandar para um hospital que tivesse”, finalizou a amiga.

Outro lado

Em nota, a direção do Hospital Municipal Maternidade Josefina Getirana Netta informou que no momento em que a criança chegou ao hospital o médico plantonista estavam em outra urgência e admitiu que na unidade de saúde não havia soro para o veneno de cobra Cascavel.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO
Com relação a matéria publicada no Portal GP1 que trata sobre a falta de atendimento a uma criança que foi picada por uma cobra cascavel no município de Pedro II, onde nesta matéria afirma que no Hospital Municipal Maternidade Josefina Getirana Netta, não tinha médico de plantão, a direção da instituição se manifesta através de uma nota e esclarece:
1 – A instituição reafirma que existe plantão médico todos os dias e que na quinta-feira (17/09) o médico plantonista era o profissional e diretor clínico do Hospital Maternidade Josefina Getirana Netta, Nelson Nogueira - CRM – 0006640/PI e que no momento da chegada da criança, o médico atendia a outra urgência.
2 – A direção do Hospital ainda esclarece que os antídotos são fornecidos ao município por intermédio da SESAPI – Secretaria de Estado da Saúde e que o hospital dispõe apenas dos soros antiofídicos contra os venenos da jararaca e sucuri, mas que através de e-mails e ofícios, vários pedidos de outros antídotos, inclusive para se combater o veneno da cascavel, já foram feitos a SESAPI, mas até o momento não foram atendidos.
3 – A instituição também informa que a criança foi regulada para o Hospital Natan Portela em Teresina em uma ambulância do SAMU.
4 – A direção do hospital afirma ainda, que desde janeiro do ano 2017, o Hospital Municipal Maternidade Josefina Getirana Netta, possui uma escala diária de médicos plantonistas, que são custeadas com recursos próprios do município, com a finalidade de proporcionar sempre o melhor atendimento a população.

Pedro II, 18-09-2020

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