Saúde

Dasa anuncia testes no Brasil de possível vacina contra a covid-19

Imunizante desenvolvido por companhia americana ainda está em fase inicial de estudos em Taiwan; estudos de fase 2 e 3 no Brasil devem começar após novembro e contarão com 3 mil voluntários.

Por  Estadão Conteúdo
09/09/2020 15h22 - atualizado 15h23

A Dasa, grupo brasileiro dono de 40 redes de laboratórios de medicina diagnóstica, anunciou nesta quarta-feira, 9, que irá realizar no Brasil testes de uma vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa Covaxx, divisão da companhia de biotecnologia americana United Biomedical.

De acordo com as empresas, a vacina teve resultados promissores em animais. Os testes de fase 1 em humanos foram iniciados em agosto em Taiwan. A expectativa é que, em novembro, os resultados da fase 1 sejam publicados para que, então, os estudos de fase 2 e 3 sejam iniciados em ao menos 3 mil voluntários no Brasil.

"Depois dos resultados de fase 1, vamos submeter o protocolo das fases 2 e 3 para os órgãos regulatórios no Brasil: Anvisa e Conep. Estamos muito empolgados com os resultados da fase pré-clínica de estudos (feita em animais). O nível de anticorpos gerado é 400 vezes maior do que o observado no plasma convalescente (de doentes recuperados da covid)", disse Gustavo Campana, diretor médico da Dasa.

Os dados das fases pré-clínicas ainda não foram publicados em revistas científicas, mas a Covaxx diz que prepara o manuscrito do artigo para submeter aos periódicos.

A vacina é baseada em uma tecnologia que utiliza peptídeos (moléculas formadas por cadeias de aminoácidos) para reproduzir uma parte do coronavírus e induzir no organismo a resposta imune à doença causada pelo patógeno.

De acordo com Mei Mei Hu, CEO e co-fundadora da Covaxx, o imunizante é capaz de gerar anticorpos tanto do tipo B quanto do tipo T, o que aumentaria a chance de ter uma resposta efetiva de combate ao vírus. "Como a vacina é sintética, não há nenhum risco biológico", completou ela. A tecnologia, disse Mei Mei, já é usada em vacinas aprovadas de uso veterinário e em imunizantes em teste para outras doenças de humanos, como Alzheimer.

De acordo com Campana, a Dasa aproveitará sua expertise na realização de testes de coronavírus para recrutar os participantes dos estudos. Ele disse que os laboratórios pertencentes ao grupo já realizaram mais de 1,5 milhão de exames da doença no País. Os estudos serão realizados em parceria com hospitais públicos e privados.

Além de desenhar o protocolo e participar da parte operacional dos testes, a Dasa irá patrocinar os estudos ao lado de outras quatro empresas brasileiras: Mafra, MRV, Localiza e Banco Inter. Juntas, elas doarão R$ 30 milhões para a realização da pesquisa.

Os estudos de fase 2 e 3 têm como objetivo medir a eficácia e a segurança do imunizante. Para verificar se ela é efetiva para impedir o desenvolvimento da doença, os voluntários serão monitorados por um ano. Já para avaliação da segurança do produto, os participantes serão acompanhados por até dois anos.

A Covaxx informou que, por meio da parceria, garante o fornecimento de 10 milhões de doses para a Dasa e Mafra para distribuição no mercado privado brasileiro. A empresa disse ainda que tem capacidade produtiva para fornecer outras 50 milhões de doses para o sistema público do País.

Caso os testes da vacina da Covaxx sejam, de fato, aprovados no Brasil, será o quinto imunizante contra a covid com estudos realizados no País. Já estão em andamento as pesquisas das vacinas da Universidade de Oxford/AstraZeneca; da Sinovac, feita em parceria com o Instituto Butantã; da Pfizer/BioNTech e da Janssen.

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