Teresina - PI

Dois policiais foragidos da 'Operação Dictum' são presos pelo GRECO

Os policiais militares tratam-se do cabo Rene, lotado da Companhia do Comando Geral da PM-PI e o cabo Sousa Borges, lotado no Batalhão de Guardas.

Brunno Suênio
Teresina
04/12/2019 21h20 - atualizado 21h21

Dois dos três policiais militares que eram considerados foragidos da Operação Dictum, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública de Teresina, nessa segunda-feira (02), se apresentaram na sede do Grupo de Repressão ao Crime Organizado – GRECO – na terça-feira (03).

A informação foi confirmada ao GP1 nesta quarta-feira (04) pelo comandante geral da Polícia Militar do Piauí, coronel Lindomar Castilho.

De acordo com o coronel, os policiais militares tratam-se do cabo Rene, lotado da Companhia do Comando Geral da PM-PI e o cabo Sousa Borges, lotado no Batalhão de Guardas. “Eles se apresentaram ontem e mantiveram o silêncio, sob a orientação das defesas para não produzir nenhuma prova contra eles. A Justiça negou a liberdade de todos os presos na audiência de custódia e agora nós vamos tocar o processo e ver como vai ficar”, ressaltou.

  • Foto: Hélio Aleff/GP1Lindomar CastilhoLindomar Castilho

O comandante geral disse ainda que o último alvo que ainda resta ser preso é o subtenente Márcio. Caso ele não seja preso ou não se apresente à Polícia Civil, ele responderá por crime de deserção no âmbito militar.

“A prisão está decretada, se ele se apresentar será preso, se for localizado, da mesma forma. Amanhã termina o prazo dele de apresentação para o período do crime de deserção, que é um crime tipicamente militar. Então se até amanhã ele não for capturado ou encontrado, configura-se a deserção. Será lavrado o termo de deserção, publicado e nós encaminharemos para a diretoria de pessoal que vai excluí-lo da folha de pagamento até que ele apareça”, ratificou.

O coronel Lindomar Castilho reforçou o compromisso da Polícia Militar em honrar o trabalho daqueles que realmente fazem da corporação a sua missão de policial militar e rechaçou a conduta daqueles que cometem crimes e que, por isso, devem ser punidos.

“Eu já tenho deixado isso bem claro, que não se pode confundir as ações de uma dúzia ou meia-dúzia de policias com a maioria esmagadora de homens e mulheres que realmente levam a sério o seu compromisso, a sua missão de ser policial militar e isso a Corregedoria cuida muito bem”, concluiu.

Confira a lista atualizada dos presos da Operação Dictum até o momento:

  • Foto: Divulgação/SSP-PINomes dos envolvidos presosAlvos envolvidos na Operação Dictum

1) Antônio Lopes Rosa

2) Bruno Costa de Oliveira

3) Ellisson Costa Vieira

4) Francisco das Chagas Lima Trindade

5) Genildo Vieira da Silva

6) Helido Cunha de Sousa

7) Marcelo Ribeiro Rocha

8) Percyvall de Oliveira Ferreira

9) Rafael dos Santos Leal

10) Rene

11) Sousa Borges

12) Lourival Ferreira de Carvalho Neto (policial civil)

13) Wanderley Rodrigues da Silva, vulgo W.Silva (ex-policial militar)

14) Erasmo de Morais Furtado

15) José Afonso Santos e Silva

Início das investigações

Segundo o delegado Gustavo Jung, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado, a investigação iniciou após um roubo de carga de televisões do depósito das Casas Bahia, localizado na Avenida Maranhão, zona norte de Teresina, em 2018. Assim foi descoberta a participação dos primeiros policiais militares, incluindo o cabo W.Silva, que acabou sendo expulso da corporação há pouco mais de 30 dias.

“Iniciamos essa investigação em dezembro de 2018, a partir de um roubo que houve em um depósito das Casas Bahia, que dentre as pessoas que estavam naquele local, havia o apoio de um policial militar. A partir desta pessoa, iniciamos as diligências e investigações. E com isso foi natural aparecerem mais policiais militares, que são ligados a essa pessoa, mas também podemos constatar o envolvimento de policias civis ligados ao grupo. E constatamos que haviam elementos suficientes para a prisão preventiva. Um policial civil foi alvo de prisão preventiva”, explicou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Gustavo JungGustavo Jung

Líder da quadrilha

O líder da quadrilha, segundo o secretário Fábio Abreu, era o ex-policial militar W. Silva, também envolvido no roubo do Banco do Nordeste em 2017. W. Silva já tinha sido expulso da corporação e estava morando no Rio de Janeiro. O ex-policial foi preso ao desembarcar da aeronave no Aeroporto de Teresina.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1Fábio AbreuFábio Abreu

Policiais pediam R$ 20 mil por mortes

Os criminosos combinavam de realizar assassinatos por valores que chegavam a R$ 20 mil. Em uma das gravações, um dos policiais revelou estar com “saudades de matar”.

O ex-policial militar W. Silva, considerado líder da associação criminosa, estava combinando com o policial militar Rene Carvalho de agredir um homem no bairro Primavera, na zona norte de Teresina. Em um dos diálogos, Rene diz que “esse aqui não vale chumbo não, eu também estou doido para matar gente, mas esse aqui não vale chumbo não, só vale pisa mesmo”, disse.

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