Saúde

Dólar bate novo recorde e fecha a R$ 4,3547; bolsa cai com coronavírus

Ibovespa fechou a sessão em 114.977,29 pontos, queda de 0,29%; ações da Petrobrás aliviaram a pressão.

Por  Estadão Conteúdo
18/02/2020 21h06 - atualizado 17/03/2020 10h40

Puxado por revisões para baixo das projeções de crescimento do Brasil e pela aversão ao risco no exterior, o dólar renovou nesta terça, 18, a máxima histórica de fechamento em termos nominais desde a adoção do Plano Real, em 1994. A moeda à vista encerrou o dia cotada a R$ 4,3574, valorização de 0,65%.

Em 12 sessões de fevereiro, a moeda americana caiu somente em quatro, duas delas com leilões extraordinários do Banco Central.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, destacou que a desvalorização cambial não foi acompanhada de piora da percepção do Brasil.

De fato, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos, um termômetro do risco país, caiu ontem para 91,3 pontos, no menor nível em uma década.

O chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, ressaltou que o quadro atual na economia brasileira e mundial não favorece o mercado de câmbio: incerteza com os efeitos do coronavírus, juros historicamente baixos e projeções de crescimento sendo revisadas para baixo.

Por exemplo, o BNP Paribas cortou a projeção para o PIB mundial deste ano de 3,0% para 2,6% e para o Brasil de 2,0% para 1,5%. “Continuamos a acreditar que o impacto de curto prazo do coronavírus será maior que muitos assumem e terá um efeito material no crescimento global”, afirmou o banco francês.

Ventos contrários. A valorização do dólar no Brasil foi acompanhada de um mau humor quase generalizado nos mercados doméstico e internacional, com um dos primeiros resultados concretos do surto do coronavírus na economia real.

Enquanto empresas estão reticentes em cravar como a doença vai afetar seus negócios, a Apple admitiu que não vai alcançar os números previstos para o atual trimestre. Era esperada receita entre US$ 63 bilhões a US$ 65 bilhões. As novas projeções, contudo, não foram reveladas. Em Nova York, a ação da companhia – uma das maiores empresas em valor de mercado do mundo – cedeu 1,83%.

A fabricante do iPhone disse que seus parceiros na produção estão localizados fora da província de Hubei, epicentro do coronavírus, e inclusive já voltaram a operar, mas alegou que esse retorno tem sido mais lento do que se esperava.

O diretor de estratégia de moedas da BK Asset Management, Boris Schlossberg, observou que o alerta da Apple provocou uma onda de aversão ao risco, penalizando as moedas na Ásia, Europa e demais emergentes, bem como queda dos mercados de ações. Uma evidência adicional da busca por proteção foi a alta de 1,1% do ouro hoje e de 2,3% da prata.

Bolsa

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa fechou a sessão em 114.977,29 pontos, queda de 0,29%. Na mínima, o índice chegou a tocar o nível de 113 mil pontos. Mas as ações da Petrobrás aliviaram a pressão, ao mudarem de direção meio da tarde e terminarem em alta.

A estatal divulga o balanço do quarto trimestre de 2019 hoje.