Piauí

Enel inicia construção de usina solar de R$ 1,4 bilhão no Piauí

Previsão é de que a usina entre em operação em 2020; empresa já investiu US$ 175 milhões, algo em torno de R$ 542 milhões, na Bahia.

Por  Estadão Conteúdo
23/10/2018 08h31

A italiana Enel Green anunciou nesta segunda-feira, 22, o início da construção do parque solar São Gonçalo, de 475 MW, em São Gonçalo do Gurgueia, no Piauí. Segundo a empresa, subsidiária do grupo italiano Enel, este é o maior projeto solar fotovoltaico atualmente em construção na América do Sul e receberá investimentos da ordem de R$ 1,4 bilhão. A previsão é de que a usina entre em operação em 2020.

"O início da construção desta planta fotovoltaica fortalece a nossa liderança no setor brasileiro de energias renováveis e confirma mais uma vez a importância que damos ao desenvolvimento da energia solar no País", afirmou Antonio Cammisecra, responsável da Enel Green Power, linha global de negócios de energias renováveis do Grupo Enel.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Placas solares no Complexo Solar Fotovoltaico Nova OlindaPlacas solares no Complexo Solar Fotovoltaico Nova Olinda

Da capacidade instalada total de 475 MW, 388 MW foram vendidos no leilão A-4 realizado em dezembro de 2017, em contratos de fornecimento de energia de 20 anos. Os 87 MW restantes serão direcionados ao mercado livre.

O Grupo Enel possui, por meio de suas subsidiárias Enel Green Power e Enel Brasil, uma capacidade instalada total de mais de 2,9 GW provenientes de fontes renováveis, dos quais 842 MW de energia eólica, 820 MW de energia solar fotovoltaica e 1.269 MW de energia hídrica. Além disso, a empresa tem mais de 1 GW em execução no Brasil, conquistados nos leilões de 2017.

Bahia

Essa não é a primeira incursão da empresa italiana no Brasil. Só em Bom Jesus da Lapa (BA), localizada à beira do Rio São Francisco, a Enel Green Power investiu US$ 175 milhões, algo em torno de R$ 542 milhões. Em pouco mais de um ano, 500 mil painéis solares passaram a cobrir uma área de 330 hectares, o equivalente a 462 campos de futebol. Nesse período, a cidade sertaneja, acostumada com o vaivém dos fiéis e com cifras bem mais modestas, passou a conviver com uma mistura de idiomas.

A energia que vem do sol

Como a cadeia de produção no Brasil ainda é incipiente, os equipamentos para montar o parque solar vieram de várias partes do mundo. Os painéis que captam a luz do sol foram fabricados na China; os conversores para transformar a energia solar na eletricidade que chega à casa dos consumidores vieram da Itália; e a montagem da estrutura que permite a movimentação dos painéis na direção do sol foi feita por espanhóis.

No auge da obra, foram contratados mais de mil trabalhadores para o empreendimento. Por estar ao lado da cidade, não houve necessidade de construir alojamentos, como ocorre em grandes projetos. Além disso, a estrutura de hotéis existente para os fiéis que visitam o santuário de Bom Jesus da Lapa ajudou muito na acomodação dos operários. Ainda assim, novos hotéis e restaurantes foram inaugurados para atender à demanda, que deverá continuar firme por mais algum tempo.