Piauí

Equatorial demitiu mais de 700 funcionários após assumir a Cepisa

Na audiência solicitada por Evaldo Gomes e Flora Izabel, o presidente da Equatorial Piauí, Arquelau Amorim, disse que muitas das demissões ocorreram por meio de um Plano de Demissão Voluntárias (PDV).

Bárbara Rodrigues
Teresina
Andressa Martins
Teresina
19/03/2019 11h21 - atualizado 20/03/2019 12h00

Audiência pública na Alepi trata sobre demissões na Cepisa

Na manhã dessa terça-feira (19) foi realizada uma audiência pública no plenarinho da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) para tratar sobre as demissões na Cepisa desde que foi assumida pela empresa Equatorial. Ao todo foram mais de 603 demissões voluntárias, além de outras 100 demissões, totalizando 703 demissões. Os funcionários alegam que estão sendo forçados a aceitarem as demissões.

O Governo Federal, ainda na gestão de Michel Temer, decidiu leiloar a Companhia de Energia do Piauí (Cepisa), que estava sendo controlada pela Eletrobras Distribuição Piauí. Em julho de 2018, a empresa Equatorial Energia comprou a Cepisa. Desde então ela tem feito várias mudanças, inclusive com demissões de vários funcionários.

Na audiência solicitada pelos deputados Evaldo Gomes e Flora Izabel, o assessor da Presidência da Cepisa, Arquelau Amorim, disse que muitas das demissões ocorreram por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), onde a empresa privada faz um acordo com o funcionário para que ocorra a “demissão espontânea” e em troca o funcionário recebe um bônus.

“Nesses últimos dias pode ter sido interpretado que teve muita demissão, mas essas demissões foram fundamentadas no PDV, que são as voluntárias onde os colaboradores que acharam que essa era uma oportunidade interessante, até devido ao cansaço com os anos, já que tínhamos um quadro de pessoal que não é tão novo. Então eles aproveitaram essa oportunidade. Essa situação precisa ser esclarecida. A gente não vai encerrar aqui nessa primeira etapa a possível contratação de outros funcionários ”, disse Arquelau Amorim que foi alvo de vaias na audiência.

Demissões são contestadas

O eletricista Daniel da Silva Moraes está entre os que assinaram o acordo de demissão voluntária. Ele afirmou que a empresa tem feito pressão para que os funcionários aceitem a demissão, principalmente porque muitos eram concursados e estavam recebendo altos salários, o que a empresa Equatorial não está mais interessada em continuar pagando.

“Depois da privatização da Eletrobras, a empresa que comprou está demitindo todos os concursados, sendo que conseguimos a nossa vaga por meio de um concurso público. Tudo isso [que o presidente da Cepisa disse sobre demissão voluntária] é mentira. A empresa quer camuflar e a maioria foi demitida por pressão. Quem quer ficar desempregado? Até porque é uma empresa boa que paga muito bem, mas a Equatorial, como ela é privada, não faz sentido para ela ficar com um funcionário onde ela tem que pagar melhor, se ela pode contratar outra pessoa para pagar menos”, disse Daniel Moraes.

Ele espera que os deputados consigam reverter essa situação para que mais pessoas não sejam prejudicadas. “A empresa que comprou a Eletrobras não está respeitando as normas trabalhistas, tem um acordo coletivo com a Eletrobras que garantiu nossos empregos e a Equatorial não está respeitando esse acordo e está demitindo os funcionários. Queremos que os deputados aprovem uma PEC para remanejar os funcionários da Eletrobras para outros órgãos públicos do Estado”, afirmou o eletricista.

Sindicato quer barrar demissões

Francisco Marcos, representante do Sindicato dos Urbanitários do Piauí, afirmou que a empresa também tem prestado uma péssima qualidade no serviço e que estão buscando barrar as demissões. “O tema principal aqui é a demissão versus a má qualidade de serviço. Na medida que a empresa vem demitindo de forma desproporcional, a qualidade dos serviços vem piorando. Nos últimos apagões que aconteceram no Piauí, a empresa demora muito a normalizar. Inclusive no carnaval em Luís Correia e no interior tivemos vários problemas. Acreditamos que vamos conseguir barrar essas demissões desproporcionais, sendo que essa é a única empresa que está demitindo empregados dessa forma”, disse Francisco Marcos.

Deputados querem acordo

O deputado Evaldo Gomes destacou a necessidade de um acordo para resolver o impasse. “Essas demissões irão continuar e o que nós queremos mesmo é cessar essas demissões, queremos poder ter um entendimento entre o Ministério do Trabalho, entre sindicato, entre a própria direção da Cepisa no sentido de poder tentar ter um controle”, disse o parlamentar.