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EUA e Canadá dizem que avião da Ucrânia foi abatido por míssil do Irã

Autoridades do governo dos EUA disseram estar confiantes de que sistemas iranianos de defesa aérea derrubaram acidentalmente a aeronave com 176 pessoas a bordo.

Por  Estadão Conteúdo
09/01/2020 17h53

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, declarou nesta quinta-feira, 9, que o avião que caiu em Teerã na quarta-feira com 176 a bordo em Teerã foi derrubado por um míssil iraniano, reforçando as suspeitas de autoridades americanas. Fontes do governo dos EUA e o próprio presidente Donald Trump haviam dito mais cedo acreditar que o Irã derrubou acidentalmente o avião ucraniano, segundo informou a mídia americana nesta quinta-feira, 9.

A revista Newsweek, a CBS e a CNN citaram autoridades não identificadas dizendo que estão cada vez mais confiantes de que os sistemas iranianos de defesa aérea derrubaram acidentalmente a aeronave, com base em dados de satélite, radar e equipamentos eletrônicos.

Em resposta, autoridades iranianas disseram nesta quinta-feira, 9, que "não faz sentido" os rumores de que o ataque com míssil derrubou o avião ucraniano. "Vários voos nacionais e internacionais estavam no espaço iraniano ao mesmo tempo à mesma altura de 8 mil pés, e essa história do ataque com mísseis no avião não pode estar correta", de acordo com um comunicado no site do Ministério da Transporte do Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que suspeita das causas da queda do avião em solo iraniano e disse que "alguém pode ter um cometido um erro". "Tenho minhas suspeitas. Estava voando em um bairro bastante difícil e alguém pode ter um cometido um erro", disse. As declarações de Trump foram feitas ao mesmo tempo em que a imprensa informava que o avião teria sido acidentalmente abatido pelos sistemas iranianos de defesa aérea.

"Algumas pessoas dizem que (o problema) foi mecânico. Eu pessoalmente não acho que isso seja uma questão", disse Trump, acrescentando que "algo muito terrível aconteceu".

Na madrugada de quarta-feira, 8, um avião Boeing 737 com 176 passageiros de sete países caiu após decolar do aeroporto Imam Khomeini, na capital do Irã, Teerã. As primeiras informações diziam que a aeronave pegou fogo e caiu por problemas técnicos, versão contestada pelo governo americano.

As declarações de Trump ocorrem depois de veículos da imprensa americana noticiarem que os serviços de inteligência dos EUA concluíram que o avião da companhia Ukraine International foi derrubado por mísseis disparados pelo Irã, possivelmente em um erro do sistema de defesa antimísseis do país. O avião pertencia à companhia ucraniana UIA (Ukraine International).

A aeronave caiu pouco depois do Irã lançar mísseis contra bases com presença de soldados americanos no Iraque, uma resposta ao ataque dos EUA que matou o general Qassim Suleimani, um dos mais importantes funcionários do governo da nação persa.

Segundo a emissora CBS, que cita funcionários do governo dos EUA, satélites americanos captaram dois mísseis sendo lançados pouco antes de o avião explodir em Teerã. Já a revista Newsweek, que conversou com integrantes do alto escalão do Pentágono e do Exército do Iraque, diz que o avião foi atingido por um dos mísseis do sistema antiaéreo do Irã em um possível erro.

A revista ainda afirma que o míssil seria um Tor-M1, de fabricação russa, conhecido como Gauntlet pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Na avaliação do Pentágono, o disparo que atingiu o Boeing 737-800 foi acidental.

Apesar de dar poucos detalhes sobre suas suspeitas, Trump também cogitou um erro. "Alguém pode ter cometido um erro no outro lado. Não foi nosso sistema, não tem nada a ver conosco. Eles estavam em uma vizinhança hostil", disse o presidente americano.

Trump também disse ter esperanças de que o governo do Irã entregará as caixas-pretas do avião à Boeing ou para a França para que as causas do incidente sejam esclarecidas. Na quarta-feira, Teerã informou que não entregaria as caixas-pretas à Boeing, já que sua sede é nos EUA, país com quem não tem relações diplomáticas.

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