Saúde

'Fala por milhões', diz Bolsonaro a mulher que pediu abertura do comércio

Uma claque agitada na frente do Palácio do Alvorada apoiou a volta do ritmo de trabalho diário, impactado pelas orientações de isolamento por conta da covid-19.

Por  Estadão Conteúdo
02/04/2020 10h53

O presidente Jair Bolsonaro ouviu nesta quinta-feira, 2, pedidos de apoiadores pela reabertura do comércio em meio à crise do novo coronavírus. Uma claque agitada na frente do Palácio do Alvorada apoiou a volta do ritmo de trabalho diário, impactado pelas orientações de isolamento por conta da covid-19.

"Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas", assegurou Bolsonaro a uma apoiadora que pedia, além da reabertura do comércio, a presença do Exército nas ruas. A mulher se identificou como professora da rede privada e mãe de família. "Não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho", disse ela. A mulher pediu ainda que Bolsonaro não falasse com a imprensa.

Uma outra apoiadora usou o termo "gripezinha" em sua fala para se referir à covid-19. A expressão foi cravada pelo próprio Bolsonaro em pronunciamento em rede nacional no dia 24 de março. A doença é responsável por cerca de 37 mil mortes em todo o mundo e 241 no Brasil, segundo o boletim do Ministério da Saúde divulgado na quarta-feira, 1.

"É o terceiro câncer que estou vencendo e essa gripe é uma gripezinha. Estou aqui para dizer que sou prova viva, eu não peguei nada. Também não estou dando mole, mas eu não peguei nada", afirmou a mulher. E acrescentou: "Eu tenho a imunidade baixa e não peguei uma gripe sequer, eu não peguei um vento, para mostrar para a nação que o senhor tem razão."

Bolsonaro tem ido na contramão das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e defendido o fim do isolamento social. Ele sugere isolar apenas os grupos de riscos, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes.

No domingo, 30, um dia após o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pedir, em reunião tensa, que o presidente não menosprezasse a gravidade da pandemia do novo coronavírus em suas manifestações públicas, Bolsonaro foi às ruas e visitou comércios em Brasília, Ceilândia e Taguatinga. "O que eu tenho conversado com o povo, eles querem trabalha", afirmou em meio a apoiadores que se aglomeravam para tirar selfies.

Alvo de críticas, Bolsonaro adotou um tom mais moderado em pronunciamento em cadeia de rádio e TV na terça-feira, 31.

Auxílio

Nesta quinta-feira, após orações de seus apoiadores e pedidos para que não falasse com a imprensa, o presidente respondeu brevemente os jornalistas. Ele renovou as expectativas para o pagamento do auxílio emergencial do governo que vai de R$ 600 a R$ 1.200 e garante que trabalhadores informais, intermitentes e microempreendedores individuais possam ter alguma renda e ficar em casa durante a crise. "Está a todo o vapor, semana que vem começa a pagar", disse.

A medida foi sancionada ontem, mas ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Segundo Bolsonaro, falta ainda a edição de uma medida provisória para garantir o crédito extra.