Teresina - PI

Falta de medicação fornecida pela Sesapi prejudica criança com hemofilia

"A Secretaria de Estado da Saúde esclarece que a medicação está no procedimento de aquisição", informou a Sesapi.

Davi Fernandes
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
08/09/2020 17h26 - atualizado 17h31

O pequeno Miguel Leôncio Chaves Coelho, de apenas 2 anos e 7 meses de idade, possui hemofilia A, uma doença caracterizada por uma deficiência no sangue, que provoca coagulação. Em decorrência da situação, a criança passa por um tratamento com medicação específica, denominada Emicizumabe, que só pode ser fornecida pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesapi), por meio de decisão judicial.

Em entrevista ao GP1 nesta terça-feira (08), o pai do pequeno Miguel, Mateus Coelho, detalhou a situação do seu filho. O SUS fornece o tratamento para Hemofilia A, porém, o corpo da criança rejeitou a medicação e apresentou resistência. Com isso, foi necessário utilizar Emicizumabe, que somente foi fornecida por 4 meses pela Sesapi, após a família ter conseguido decisão na Justiça.

  • Foto: Arquivo PessoalMiguel tem apenas dois anos de idadeMiguel tem apenas dois anos de idade

O sofrimento da família tem sido gigantesco, desde os primeiros meses de vida do Miguel. Assim que ele passou a apresentar hematomas aparentes, como se tivesse sofrido pancadas, os pais acabaram descobrindo a Hemofilia A como causa da coagulação do sangue. As imagens fornecidas pela família, dão conta do sofrimento que a criança sente na pele.

  • Foto: Arquivo PessoalHematomas aparentes no corpo do pequeno MiguelHematomas aparentes no corpo do pequeno Miguel

“O meu filho tem Hemofilia A, essa doença não tem cura e necessita de tratamento. Atualmente, o que é fornecido pelo SUS o meu filho apresentou resistência e então surgiu essa nova medicação [emicizumabe], que entramos na Justiça para conseguir. Foi uma vez e deu certo, o juiz aderiu e a Sesapi comprou por 4 meses, mas o prazo expirou. Depois conseguimos novamente na Justiça, o juiz deferiu para mais 3 meses, só que quando chegou na Sesapi, parou a compra. Não soubemos o motivo, mas não justifica a demora, pois é um medicamento”, relatou.

Devido a situação delicada de seu filho, Mateus ainda disse que o restante da medicação será possível ser administrada por mais uma semana, depois disso o pequeno Miguel terá que contar com a Secretaria de Estado da Saúde para seguir o tratamento.

“A medicação dele está acabando, dos 4 meses que conseguimos só fica pelo menos até a próxima semana. Eu tentei, ligando para a Sesapi, eles disseram que o processo segue na diretoria, na primeira vez não ocorreu isso. Agora estamos com essa angústia, porque precisamos do remédio e o tratamento não pode ser interrompido”, ressaltou.

O que diz a Sesapi

Por meio de nota, a Sesapi informou que está aguardando resposta da empresa responsável por fornecer o medicamento e ressaltou que caso o fornecedor não disponibilize a medicação, a Sesapi cumprirá a decisão por meio de depósito judicial.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado da Saúde esclarece que a medicação está no procedimento de aquisição, estando os autos no momento no setor de compras, aguardando posicionamento do fornecedor para poder disponibilizar para o paciente. Caso o fornecedor não consiga entregar a medicação, a Sesapi cumprirá a decisão judicial por meio de depósito judicial.

Desta forma, possibilitará a realização da compra por parte dos familiares.

Mais conteúdo sobre: