São Bernardo do Campo - SP

Filha de família queimada em SP diz que comprou gasolina para jogar nos corpos

Todos os cinco suspeitos presos negam a autoria dos assassinatos para, de acordo com a polícia, responder por roubo, que tem pena menor.

Victória Xavier
Teresina
11/02/2020 17h53 - atualizado 17h53

Anaflávia Gonçalves admitiu em depoimento à polícia que foi até um posto de combustíveis com um dos seus comparsas que participou do crime que matou a própria família dela no ABC paulista para comprar a gasolina utilizada na queima dos corpos.

Até o momento cinco pessoas foram presas, acusadas de participarem do assassinato de uma família na cidade de São Bernardo do Campo.

  • Foto: ReproduçãoA mãe, Flaviana Gonçalves, o pai, Romuyuki Veras Goncalves e o filho Juan Vitor GonçalvesA mãe, Flaviana Gonçalves, o pai, Romuyuki Veras Goncalves e o filho Juan Vitor Gonçalves

Depoimento

No dia 27 de janeiro, o casal de empresário Romuyuki e Flaviana Gonçalves e o filho, Juan, de 15 anos, foram mortos e depois queimados dentro do carro da família, na região do ABC paulista. A filha do casal, Anaflávia, e a namorada dela, Carina Ramos, foram presas dois dias depois, acusadas pela polícia de participarem do crime. Na última quarta-feira (5), elas confessaram o assalto, mas negaram a autoria dos assassinatos.

Durante os minutos que em foi interrogada, a filha do casal, não se emocionou e não demonstrou arrependimento. Ela disse que houve um impasse sobre o local em que os corpos seriam carbonizados.

"Eles falaram: vai ser onde? No Montanhão? No Sertãozinho ou no Montanhão? Vamos queimar o carro'. A Carina falou: 'você está louco? Não vai queimar o carro'", relatou Anaflávia. "Eu fui no posto com o Jonathan. Ele abasteceu o carro, encheu um galão de gasolina".

Plano previa roubo

Segundo a polícia, também participaram do crime Guilherme Ramos da Silva, Jonathan Fagundes Ramos e Juliano Oliveira Ramos Junior, os dois últimos, primos da Carina. Jonathan foi o último a se entregar à polícia, ele se apresentou por volta das 7h20 desta segunda-feira (10) na Delegacia Sede de Praia Grande dizendo que 'não aguentava mais viver fugindo da polícia'.

Todos os cinco suspeitos presos negam a autoria dos assassinatos para, de acordo com a polícia, responder por roubo, que tem pena menor. A polícia vai saber qual a participação real de cada um no crime depois da reconstituição e quando forem colocados frente a frente.

O que todos confirmam é a proposta inicial de roubo. "Ele [Juliano] falou de fazer uma fita, eu falei que não, mas todo mundo chegou ao consenso que sim", disse Anaflávia.

Anaflávia e Carina moravam juntas, e a relação com a família, que não vinha bem, piorou quando Anaflávia ganhou um carro e transferiu o documento do veículo para o nome da namorada.

O combinado seria que os três homens fingiriam que estavam rendendo as mulheres e família. "Amarramos o moleque, amarramos o pai e subimos com o pai...", disse Juliano. "Eles estavam pedindo a senha do cofre e ele falava que não tinha, que isso quem tinha era a esposa dele", continuou.

  • Foto: Reprodução/FacebookA mãe, Flaviana Gonçalves, o pai, Romuyuki Veras Goncalves e o filho Juan Vitor GonçalvesA mãe, Flaviana Gonçalves, o pai, Romuyuki Veras Goncalves e o filho Juan Vitor Gonçalves

Mudança de plano

Juliano e Guilherme disseram que os planos mudaram por decisão de Carina no momento em que Romuyuki afirmou não ter a senha do cofre.

"Mudou. A Carina mudou tudo quando falou que tinha que matar o pai ou o moleque para a mãe ver que não tava de brincadeira. Ela queria a senha de tudo", disse Juliano. "Nesse momento, reuniu todo mundo", continuou, acrescentando que as namoradas estavam tomando cerveja e fumando cigarro.

Segundo Juliano e Guilherme, Carina matou Romuyuki e Juan por asfixia, embora elas tenham dito que ficaram no andar debaixo e não viram os dois serem assassinados.

Os suspeitos deixaram o condomínio em dois carros. Levou os corpos do pai e do filho, e Flaviana, ainda viva, no carro da família. De acordo com Juliano, ela foi morta por Carina na estrada deserta antes do carro ser incendiado com a família dentro. Mas Carina nega.

O que foi constatado por perícia

Em 28 de janeiro, o carro da família foi encontrado em chamas na Estrada do Montanhão, em São Bernardo do Campo, próximo ao Rodoanel. O local fica a cerca de 6 km do condomínio de sobrados em Santo André onde a família morava.

Havia dois corpos totalmente carbonizados no porta-malas do veículo.

Os três corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) Central, onde foram feitos exames para identificação. Dois dias depois, um laudo apontou que a causa da morte dos 3 foi traumatismo craniano, possivelmente em decorrência de pauladas na cabeça. As vítimas, então, foram mortas antes de terem os corpos queimados na Estrada do Montanhão.

Os policiais encontraram a casa da família revirada e também identificaram que foram levados objetos de valor, como joias, TV e videogame, e dinheiro em espécie que somam a quantia de R$ 8 mil em moeda nacional e estrangeira, além de uma arma antiga quebrada, que pertenceu ao avô de uma das suspeitas, Anaflávia.

Em 1º de fevereiro, novos exames feitos pela polícia confirmaram a presença de sangue humano na casa da família, nas escadas, nas roupas e na máquina de lavar.

A polícia teve acesso a imagens de câmeras de segurança da portaria do condomínio, que mostraram a visita de Anaflávia aos pais na noite que antecedeu a madrugada do crime, seguida da saída do carro dela e da família do local.

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