Teresina - PI

Fotógrafa acusada de enganar clientes falta à audiência em Teresina

Débora Emily está sendo acusada de enganar clientes que a contrataram para fazer ensaios com recém-nascidos chamado de “Newborn”.

Bárbara Rodrigues
Teresina
31/01/2020 17h36 - atualizado 18h08

A fotógrafa Débora Emily Gomes de Morais, que é acusada de enganar clientes, faltou a audiência de Conciliação, Instrução e Julgamento que estava marcada para o dia 30 de janeiro no Juizado Especial Cível, localizado no bairro Bela Vista, na zona sul de Teresina.

Débora Emily está sendo acusada de enganar clientes que a contrataram para fazer ensaios com recém-nascidos chamado de “Newborn”. O GP1 chegou a publicar uma matéria informando sobre o caso em novembro de 2019, onde várias mães pagaram a fotógrafa, fizeram os ensaios, mas nunca receberam as fotos.

Na ocasião a assessoria jurídica da empresa PhotoGram - PI, dos fotógrafos Junior Morais e Débora Emily, enviou nota de esclarecimento ao GP1 confirmando o problema em relação as fotos e afirmando que "houve um dano no equipamento que alocava todo o material dos últimos trabalhos realizados na época pelos profissionais, que transtornados e abalados psicologicamente com o ocorrido imediatamente entraram em contato com todos os clientes envolvidos nessa celeuma, explicando de forma clara e transparente o que havia acontecido e se disponibilizando a negociar a devolução dos valores pagos".

Uma das vítimas ingressou na Justiça com pedido de indenização por danos morais. No dia 30 de janeiro foi marcada uma audiência de conciliação entre a fotógrafa e a cliente, mas Débora Emily não compareceu.

A cliente, que preferiu não se identificar, disse estar muita chateada com a situação e que até o momento não foi procurada para fazer um acordo. “Na reportagem de vocês, eles disseram que nos contatariam e que iriam fazer acordo, isso nunca aconteceu. Já tem três meses desde a reportagem de vocês e eles nunca contataram nenhuma das pessoas lesadas. Temos um grupo [no WhatsApp] das pessoas lesadas. Eles se negaram a nos atender, dizem que só com a advogada, que também não responde ninguém. Então entrei com o processo, a audiência foi ontem, ela foi citada e não apareceu. Essa história de que iriam fazer acordo e estavam disponíveis é mentira, sequer aparecem na audiência. Ou seja, não estão nem aí. Ela continua fotografando, e continuam normais. Não temos as fotos e nem os valores pagos”, lamentou.

A vítima deixou claro que irá seguir atrás dos seus direitos. “Eu não posso deixar isso morrer. Simplesmente eles não podem ficar como se nada tivesse acontecido, porque se fosse a primeira que tivesse acontecido, mas foram várias vezes, até mesmo em casamentos. Então não posso deixar que isso não cai no esquecimento. A gente continua lesado, financeiramente e emocionalmente”, explicou.

O caso

A vítima explicou ao GP1 que contratou a fotógrafa Débora Emily em 2019 para a realização de um ensaio “Newborn” do seu filho em março. Ela assinou um contrato, onde realizou o pagamento de R$ 800 e depois, como queria mais fotos, pagou quase R$ 400 pelas imagens extras.

“Eu a contratei por questão de comodismo, pois ela ia em casa. Nós assinamos o contrato e ela fez as fotos do meu filho com 13 dias de vida. Aí ela me mandou três fotos para postar logo no Instagram. Depois ela não me mandou mais foto. Quando eu fiz o contrato era para um pacote menor, como eu gostei, queria mais 13 fotos extras, que dariam em torno de mais R$ 400. Eu mandei todas as fotos que tinha escolhido e mandei separar as extras. Ela disse que só editava as fotos extras, se eu pagasse com antecedência, eu então disse para ir editando as que eu tinha pago, enquanto providenciava o dinheiro das outras. Passou o tempo, consegui o dinheiro e mandei para ela e perguntei quando mandaria as fotos e ela disse que seria na outra semana”, explicou.

O problema é que as fotos nunca foram entregues e só após alguns meses é que Débora Emily se justificou. “Passou meses e todo dia cobrava ela, até que um dia ela disse que o HD, onde estavam as minhas fotos, tinha sido queimado, e que esse HD estava em São Paulo e que por esse motivo não tinha como entregar as fotos. Achei muito estranho, porque as datas que ela me deu, significava que quando pedi as novas fotos, ele já estava com esse problema”, revelou.

A cliente disse que tentou reaver o dinheiro que havia pago, mas que a fotógrafa nunca tentou um acordo para a devolução dos valores. “De lá pra cá, venha tentando conversar com ela, para ela devolver o dinheiro do meu pacote, mas eles nunca fizeram questão, nunca me ligaram. Silêncio como resposta. Até que, quando meu filho fez 7 meses, tornei público o que estava acontecendo e postei no Instagram. Também procurei vocês para fazerem matéria. Quando eu postei, apareceram várias vítimas, isso não de agora. Aí o marido dela veio atrás de mim e chegou a fazer um grupo [no WhatsApp] com todas as vítimas, disseram que estavam arrasados. Disseram que iriam fazer acordo, mas isso nunca aconteceu. Nós temos um grupo com 17 vítimas. Eu não posso deixar isso morrer. Simplesmente eles não podem ficar como se nada tivesse acontecido”, afirmou a vítima.

Outro lado

O GP1 entrou em contato, na manhã desta sexta-feira (31), com a advogada Faélem Nascimento, que responde por Débora Emily. A assessora jurídica da fotógrafa afirmou que Débora e Júnior não foram intimados. “Não recebemos nenhuma intimação para responder ao processo. Estou aguardando o sistema do PJE [Processo Judicial Eletrônico] voltar. Tomei conhecimento hoje”, declarou.

A advogada rebateu as acusações feitas pela pessoa que contratou os serviços de fotografia. “Ela diz que não a procuramos para fazer acordo, procuramos sim, celebramos dois acordos, porém só posso fazer acordo com quem está disposto a parcelar e que os valores estejam dentro das condições do Júnior e da Débora”, argumentou.

A responsável jurídica informou que os fotógrafos se encontram em dificuldades financeiras. “Eles perderam muitos contratos, ambos estão desempregados. Não estão conseguindo mais prestar nenhum serviço de fotografia, colocaram o carro a venda inclusive, para conseguir cobrir e ressarcir as pessoas. Essa é a resposta que tenho dado a todos que tem me procurado”, colocou.

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