Teresina - PI

Funcionários denunciam chefe dos Transportes da Ufpi por assédio

Procurada na manhã de sexta-feira (30), a coordenadora do setor de Transportes da Ufpi, Maria José Carvalho Silva, não quis conceder entrevista.

Andressa Martins
Teresina
01/12/2018 12h04 - atualizado 12h18

Funcionários do setor de Transportes da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), do campus de Teresina, denunciaram ao GP1 que sofrem assédio moral da coordenadora do setor, Maria José Carvalho Silva. Dentre as acusações, além de “pressionar” os funcionários, a coordenadora é acusada de esconder a folha de ponto e não aceitar atestado médico.

O auxiliar de mecânica José Francisco Pereira da Silva, conhecido como ‘Neném’, diz ter sido vítima de assédio moral por parte da gestora, que na ocasião o chamou de “vagabundo”. “Na semana passada eu tive o celular roubado e fui resgatar o chip. Quando eu cheguei ela me disse todos os nomes, disse que eu era um vagabundo, que chego aqui e não trabalho, que fico me escondendo para não trabalhar”, contou.

Segundo o idoso, de 65 anos, a gestora “ficou zangada” e chamou a segurança. “Na hora que ela chamou o segurança eu já estava lá no outro bloco, mas ela pegou o ponto e ficou mandando o segurança ir levar para eu assinar lá fora”, continuou o funcionário.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Pórtico da Universidade Federal do PiauíPórtico da Universidade Federal do Piauí

Folha de ponto

Ainda de acordo com Neném, após o incidente, Maria José o proibiu de entrar na sala para assinar a folha de ponto e repassou para um segurança da unidade a responsabilidade de colher a assinatura do funcionário. Outro segurança “que está para se formar em Direito explicou para ela que não podia isso, que só poderia pegar o ponto se tivesse a autorização do reitor”.

Outros funcionários do setor também acusam a gestora de “esconder” a folha de ponto. Neném contou que Maria José “esconde a folha de ponto na gaveta” e “vigia” enquanto os funcionários assinam.

“Ela esconde a folha de ponto na gaveta dela e só bota naquele horário e fica na porta. Ela fica vigiando ai. O advogado disse que tem que ficar em cima da mesa, mas ela guarda. Se você chegar antes de 8h, o ponto não está lá, só 8h em ponto”, afirmou.

Outro ponto citado pelos funcionários é o Atestado Médico, que segundo eles não é aceito pela gestora. “Na hora que perguntei para ela ‘e atestado, você aceita?’, ela disse que não aceita não, que ia descontar”, contou Neném.

Desvio de função

O denunciante diz ainda que Maria José “se zangou” porque quer que ele faça outras atribuições que não fazem parte de sua função. O idoso é auxiliar de mecânica e está sendo mandado para o setor de lavagem de veículos, que é terceirizado.

“Sou auxiliar de mecânica e ela quer me forçar a trabalhar em outra área que não é a minha. Tem um setor de Lava Jato e ela quer que eu vá lavar carro. Eu disse para ela que ia fazer um favor lá, uma ajudazinha, mas não direto e ela se zangou comigo. Eu disse para ela que tenho minha profissão e lá é terceirizado já”, afirmou.

Descontos

O funcionário contou ainda que no semestre passado teve um desconto no valor de R$ 700,00 em seu contracheque. Questionado o motivo do desconto, o aposentado explicou que a gestora “disse que não ia justificar não”.

Reunião com o Sintufpi

Na última segunda-feira (26) a reportagem do GP1 participou de uma reunião de funcionários com membros do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Piauí (Sintufpi). Na ocasião, a equipe presenciou a chegada de membros da assessoria de comunicação da universidade, que se disse enviada para o local pela gestora a fim de filmar a fotografar as pessoas que participavam da reunião. Após insistentes pedidos para que se retirassem, os dois funcionários saíram da sala.

A presidência da Sintufpi se comprometeu em tentar marcar uma audiência com o reitor da universidade a fim de levar as demandas colocadas pelos trabalhadores ao gestor da instituição. Após produção do material, o GP1 não conseguiu contatar o sindicato.

Outro lado

Procurada na manhã de sexta-feira (30), a coordenadora do setor de Transportes da Ufpi, Maria José Carvalho Silva, não quis conceder entrevista.

Mais conteúdo sobre: