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Grupo ligado à Al Qaeda ataca base militar dos EUA no Quênia

Ataque foi interceptado por soldados quenianos e pelo menos quatro integrantes da milícia Al-Shabaab foram mortos; caso faz parte da campanha 'Al-Quds - Jerusalém jamais será judia'.

Por  Estadão Conteúdo
05/01/2020 08h35

O grupo islâmico Al-Shabaab, da Somália, atacou neste domingo, 5, uma base militar dos Estados Unidos no condado de Lamu, no litoral do Quênia. Conhecido como "Acampamento Simba", o local é utilizado pelos soldados americanos em parceria com as forças quenianas.

"Eles atacaram a pista de pouso do aeroporto da Ilha de Manda em Lamu, que fica ao lado do campo militar que abriga soldados de muitos países, incluindo do Quênia e dos Estados Unidos", disse uma fonte militar à Reuters.

Um relatório interno da polícia queniana visto pela AP diz que duas aeronaves, uma dos Estados Unidos e outra do Quênia, teriam sido destruídas juntamente com dois helicópteros e vários veículos americanos. A informação ainda não foi confirmada. Ainda de acordo com os militares quenianos, o ataque foi interceptado e pelo menos quatro membros da milícia Al-Shabaab foram mortos.

"O ataque lançou uma nuvem escura de fumaça no ar", disse Abdallah Barghash. Ele estava entre a multidão que via de perto o desenrolar da ação na Ilha Manda. O local é um dos principais pontos turísticos do país. Outras testemunhas dizem que um carro bomba foi utilizado na ação.

A Al-Shabaab, um grupo insurgente islâmico ligado à Al Qaeda, que luta para derrubar o fraco governo somali apoiado pela ONU, também divulgou uma declaração prometendo novas atualizações.

"Um grupo de elite dos soldados da 'Brigada do Martírio' da Al-Shabaab lançou um ousado ataque ao amanhecer, em uma base naval dos EUA conhecida como 'Acampamento Simba' no condado de Lamu, no Quênia", disse o comunicado do grupo. A milícia ainda assegurou que o ataque faz parte da campanha "al-Quds - Jerusalém jamais será judia", um slogan usado desde janeiro do ano passado, para justificar o atentado contra o complexo turístico Dusit, em Nairobi, onde morreram 21 pessoas.

"A base abriga centenas de militares dos EUA e soldados quenianos, e serve como uma das muitas plataformas de lançamento da cruzada americana contra o Islã, na região", acrescentou a nota.

No entanto, neste primeiro momento, as consequências não parecem tão graves. "Devido à violação malsucedida, houve um incêndio que afetou alguns dos tanques de combustível localizados na pista de pouso", disse a Autoridade de Aviação Civil do Quênia. "Mas as pistas já estão seguras e liberadas".

O mesmo diz o coronel Cristopher Karns, das forças dos Estados Unidos. Ele classifica como 'exagerada' a atitude do Al-Shabaab.

O Al-Shabaab frequentemente lança ataques no Quênia, incluindo o plantio de bombas na estrada e ataques a veículos civis. Na última semana, eles mataram três passageiros quando atacaram um ônibus no condado de Lamu, informou a polícia.

O ataque do domingo ocorre dias depois de os Estados Unidos terem matado o principal comandante militar do Irã, Qassim Suleimani. No entanto, como o al-Shabab é um grupo muçulmano sunita, e o Irã é xiita, ainda não foi estabelecida uma ligação entre ambas as ações.

O analista Rashid Abdi disse, por meio de sua conta no Twitter, que acredita que o ataque não tem nada a ver com as tensões no Oriente Médio. Porém, ele acrescentou que, recentemente, os serviços de segurança quenianos estão preocupados com o fato de o Irã estar tentando cultivar laços com a Al-Shabab.

"O Al-Shabaab é declaradamente wahhabita, que é sunita, não sendo um aliado natural do Irã, xiita. Suas relações são hostis, até. Mas, se aquilo que o Quênia afirma, for verdade, então o ataque do Al-Shabaab pode ter sido uma forma oportuna de sinalizar ao Irã, de que eles estão abertos a alianças táticas", escreveu.

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