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Irã condena ataque que matou general e diz que países vizinhos se vingarão

O presidente, o ministro das Relações Exteriores e o Líder Supremo do país, deram declarações de pesar - e ameaça.

Por  Estadão Conteúdo
03/01/2020 07h08

O ministro das Relações Exteriores do Irã disse nesta sexta-feira, 03, que o ataque dos Estados Unidos perto do aeroporto de Bagdá foi um 'ato de terrorismo'. Entre as vítimas da ação, está o general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã. Os principais líderes do país também deram declarações de pesar e ameaças contra a ação, que deixou pelo menos nove mortos e foi classificada pelo governo iraniano como "ato de terrorismo".

Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores, disse em comunicado que o ataque "sem dúvidas foi um ato de terrorismo de Estado" e uma "violação da soberania do Irã". "Talvez a ação dos Estados Unidos tenha sido uma reposta à dor que esse grande homem lhes infligiu", disse, em menção a um relatório feito pelo FBI anos atrás e que credita ao general Soleimani a morte de ao menos 600 soldados norte-americanos.

Zarif complementou dizendo que "o assassinato deixará o povo do Irã ainda mais unido", ao mesmo tempo em que também "tornará as políticas dos Estados Unidos mais escandalosas e menos eficazes do que antes". Antes, ele já havia demonstrado sua consternação através de sua conta oficial no Twitter, afirmando que o "ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos, que visou o assassinato do General Soleimani - o mais eficaz combatente contra o Estado Islâmico, o Al Nusra, a Al Qaeda, entre outros - é extremamente perigoso e uma escalada tola. Os EUA são responsáveis por todas as consequências de sua aventura desonesta".

Além dele, o presidente iraniano Hassan Rohani também disse em comunicado que "o martírio de Soleimani deixará o Irã mais decisivo para resistir ao expansionismo americano e defender nossos valores islâmicos. Sem dúvida, o Irã e outros países que buscam a liberdade na região, se vingarão".

Já o Líder Supremo do Irã Ali Khamenei, comentou na rede de televisão estatal do país que o assassinato do general e chefe da Guarda Revolucionária do Irã, não irá desmotivar a resistência jihad. "Todos os inimigos devem saber que a resistência jihad continuará com uma motivação dobrada, e uma vitória definitiva dos combatentes na guerra santa ainda é esperada". Ele também pediu três dias de luto oficial.

Enquanto isso, o governo da Síria emitiu uma nota em que diz "condenar veementemente" a "traiçoeira agressão criminosa americana". O país também afirmou que vai continuar lutando "pelos líderes martirizados e pela resistência contra a interferência americana, nos assuntos dos países da região".

A decisão oficial sobre como o Irã vai reagir em relação ao ataque devem chegar ao conhecimento do público ainda nesta sexta. Segundo informações, membros da alta cúpula do país estão reunidos e conversando sobre quais medidas devem ser tomadas a partir de agora.

Segundo informações da AFP, o país convocou para a reunião um chefe da embaixada suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos em Teerã. Ele somente deve ser acionado, no caso de ausência de relações diplomáticas entre os dois países.

Soleimani foi morto durante uma ação da força aérea americana em um aeroporto em Bagdá. Ele era um dos militares mais poderosos do grupo, considerado terrorista pelos Estados Unidos e por Israel. O número 2 da milícia, Abu Mehdi Al-Muhandis, também morreu. A informação foi confirmada pelo Pentágono na quinta. O ataque ocorreu sob o comando do presidente americano, Donald Trump.

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