Saúde

Itália isola cidades atingidas pelo coronavírus

Diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a OMS está especialmente preocupada com os casos na Itália, Coréia do Sul e Irã.

Por  Estadão Conteúdo
24/02/2020 12h00 - atualizado 17/03/2020 10h39

O governo da Itália anunciou a quinta morte provocada pelo novo coronavírus no país nesta segunda-feira, 24. A quinta vítima é um idoso de 88 anos, morador de Caselle Lanne, na Lombardia. Desde domingo, 23, as autoridades italianas estão controlando ao menos 11 cidades na região norte - elas estão em quarentena, uma tentativa de evitar a propagação da doença.

Ao todo, cerca de 43 autoridades locais determinaram restrições à entrada e saída de pessoas. Quem não respeitar poderá ficar detido por até três meses. Aproximadamente 100 mil pessoas estão sendo prejudicadas por restrições nas regiões norte da Lombardia e Veneto - as duas mais afetadas pela doença na Itália.

Autoridades de proteção civil disseram que 219 pessoas deram positivo para o novo coronavírus na Itália e cinco morreram. Uma foi curada.

A polícia italiana também monitora postos de controle em cidades em quarentena no norte do país nesta segunda-feira, enquanto as autoridades tentaram conter casos do coronavírus que fizeram da Itália o principal local do surto na Europa. No entanto, as autoridades ainda não identificaram a origem do contágio, que nesta segunda-feira se espalhou por mais regiões e levou a Áustria a interromper temporariamente o tráfego ferroviário através de sua fronteira com a Itália.

"Esses rápidos desenvolvimentos no fim de semana mostraram a rapidez com que essa situação pode mudar", disse a comissária de saúde da UE Stella Kyriakides em Bruxelas. "Precisamos levar essa situação muito a sério, mas não devemos ceder ao pânico e, ainda mais importante, à desinformação".

Os italianos que viajam para o exterior também começam a sentir o temor das autoridades de outros países em relação a eles. Um ônibus cuja origem era Milão foi barrado pela polícia na cidade francesa de Lyon para que os passageiros pudessem realizar exames. Além desse caso, pelo menos um avião da Alitalia, a principal companhia aérea da Itália, foi bloqueado na pista ao pousar nas Ilhas Mauricio. O Ministério das Relações Exteriores da Itália disse que estava trabalhando para fornecer "a máxima assistência aos italianos a bordo". Muitos italianos estão viajando esta semana para as férias escolares no meio do inverno.

Carnaval de Veneza e semana de moda afetados

O tradicional carnaval de Veneza foi suspenso no último domingo. O evento teve início em 8 de fevereiro e iria até o dia 25, a próxima terça-feira. Anualmente, a cidade recebe nesta época milhares de pessoas de todo o mundo.

Os temores se espalharam, também, pela capital da Lombardia, Milão, cidade considerada o centro financeiro da Itália. Os dois últimos desfiles da Milan Fashion Week, programados para segunda-feira, foram cancelados.

O vice-ministro da Saúde da Itália, Pier Paolo Silveri, disse que o país está apelando ao "senso cívico" dos italianos para respeitar as medidas de contenção nas duas semanas que a quarentena impõem.

Os casos crescentes surpreenderam o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, já que a Itália impôs medidas mais rigorosas do que qualquer outro país europeu depois que os primeiros casos foram relatados na China.

A Itália, em 31 de janeiro, por exemplo, proibiu voos para China, Taiwan, Hong Kong e Macau, rastreou todos os passageiros que chegavam em seus aeroportos e declarou estado de emergência para liberar fundos para medidas de contenção.