Coronavírus no Piauí

Jivago Castro diz que isolamento social está arrebentando a economia

Empresário disse ainda que apresentou um plano de mitigação para que a construção civil retomasse as atividades, mas que as autoridades não deram nenhuma resposta.

Andressa Martins
Teresina
22/05/2020 16h39 - atualizado 17h53

Em entrevista ao GP1 nesta sexta-feira (22) o empresário da construção civil, engenheiro Jivago Castro, afirmou que o efeito das medidas de isolamento social, decretadas pelo prefeito Firmino Filho (PSDB) e governador Wellington Dias (PT) será devastador e que está "arrebentando a economia". Jivago é proprietário da Vanguarda Engenharia.

Desde o dia 23 de março, o comércio varejista e a construção civil estão proibidos de funcionar na capital e em todo o estado, após decretos a fim de ganhar tempo para construir hospitais e diminuir a dissipação do novo coronavírus (covid-19) no estado. 60 dias depois, no entanto, Jivago questiona as medidas tomadas pelos gestores e o efeito da quarentena para a economia.

  • Foto: Facebook/Jivago CastroJivago Castro Jivago Castro

“Estamos completando 60 dias de fechamento. O argumento utilizado pela prefeitura e pelo Governo do Estado que justificava nosso sacrifício de fechar todo o comércio varejista, todas as empresas seria uma quarentena para que eles se preparassem para enfrentar o coronavírus. 60 dias de coronavírus, mudou o mundo quase todo, principalmente a forma de tratar isso”, afirmou.

Ainda não demitiu

“Em relação à construção civil nós fizemos a nossa parte, preservamos os empregos, eu na Vanguarda não demiti, mas utilizei das opções que o governo possibilitou de colocar o contrato em suspensão, onde ele assume 70% do custo, a gente 30%. O Governo Federal é quem tem feito um grande trabalho de ajuda nesse país, seja para as empresas com essas medidas de ajuda, seja na ajuda direta dos autônomos fazendo o desembolso dos benefícios de 600 reais”, continuou.

Mudança no tratamento da doença

Jivago falou sobre como a doença vem sendo tratada ao redor do mundo e as descobertas científicas ao longo dos últimos dois meses. No início, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientava que apenas os doentes e profissionais da saúde usassem máscaras, hoje a indicação é que todos usem máscaras, sejam elas descartáveis ou reutilizáveis. Outra grande mudança no tratamento foi a indicação de que pessoas com suspeitas passassem a procurar um médico nos primeiros indícios da doença e não somente quando houvesse falta de ar.

Devastador

Jivago avaliou como “terrorismo” o que o Governo do Estado do Piauí e a Prefeitura de Teresina tem feito para tentar manter as pessoas em casa. Para o empresário, o efeito do isolamento vai ser devastador.

“O que eu vejo no Governo do Estado do Piauí e pela prefeitura é terrorismo. Colocando a população dentro de casa trancada, quebrando os comércios, sejam eles pequenos, médios ou grandes, arrebentando a economia em nome da quarentena, em nome do achatamento da curva. Qualquer capital do Brasil fez hospital de campanha entre 10 e 15 dias, aqui está com 60 dias e não tem hospital de campanha. Aliás, inaugurou um depois de 60 dias. Em 60 dias o mundo aprendeu a trabalhar melhor com a doença”, afirmou.

“Lá atrás foi uma decisão muito acertada, fechar antes, a prefeitura acertou em fechar antes. Preservamos vidas. O efeito deletério disso na economia vai ser devastador. Nós devemos ter três vezes mais de desempregados, pessoas que não sabem se vão voltar para seus trabalhos, os autônomos não sabem como vão reinventar esses negócios”, continuou o engenheiro.

População tem medo

Ainda conforme o empresário, a população preferiu ficar em casa e se isolar em um primeiro momento porque sabe da precariedade do sistema de saúde e pediu mais transparência dos órgãos do governo acerca do dinheiro gasto durante a pandemia.

“O Piauí recebeu tanto do Governo Federal para o enfrentamento do coronavírus? Quanto foi gasto? Cadê o portal da transparência para informar à população como esse dinheiro está sendo gasto? Para que a gente tenha o conforto. Nós fizemos um sacrifício durante 60 dias, sacrificamos nossas empresas, mas nossos governantes foram muito diligentes. O resultado foi que Teresina foi onde menos morreu gente, mas não foi por causa deles não”, disse.

“A própria população se isolou e tomou seu cuidado com medo, porque sabe que se for para uma fila de um hospital aqui em Teresina não vai encontrar. A população tem muito mais medo de adoecer porque sabem que se adoecer, principalmente os mais pobres, não vai encontrar médico, não vai encontrar EPI. A atitude que eles tomaram acho que vai refletir nas urnas”, prosseguiu.

Erraram em continuar decretos

“Eu acho que erraram. Já poderiam ter aberto. Se a justificativa era achatar a curva, essa curva de contaminação não aconteceu. E as pessoas que estão trancadas dentro de casa desesperadas sem ter dinheiro para comprar comida para os filhos, sem dinheiro para comprar remédio para os filhos? E que sabem que se adoecerem podem ir para um hospital desses e acabar morrendo lá dentro”, seguiu.

“Aí é onde está o que é mais sublime. Não houve uma balança de equilíbrio entre combater o coronavírus e preservar as pessoas, porque preservar a vida das pessoas, o emprego, a sanidade mental, é tão importante quanto preservar a vida do coronavírus. Não há essa sensibilidade por parte dos governantes”, declarou.

Plano de mitigação

Jivago disse ainda que apresentou um plano de mitigação para que a construção civil retomasse as atividades, mas que as autoridades não deram nenhuma resposta.

“Espero que eles coloquem a mão na consciência e que nos deixem voltar a trabalhar. Não somos irresponsáveis por voltar a trabalhar, pensando em dinheiro como eles colocam o empresário contra a população. Nós fizemos um projeto e um plano de mitigação de risco que é melhor do que qualquer órgão de secretaria. Nós da construção civil vamos trabalhar sob plano de mitigação que nenhuma secretaria, seja da prefeitura ou do estado, fez igual ao nosso”, disse.

“Apresentamos esse plano está com mais de 30 dias. São normas, situações aprovadas, submetidas inclusive ao Ministério Público. Baseado em outras empresas que fizeram e puderam voltar a trabalhar sobre essas normas. São normas rigorosíssimas, que inclusive pesam no nosso bolso, mas temos preocupação também com a saúde de nossos funcionários. Toda vez que a gente tenta voltar a trabalhar vem um com um discurso eleitoreiro dizendo que é porque somos empresários. Isso é discurso eleitoreiro”, cravou.

Construção civil

“Nós representamos 10% do PIB do país. Nós geramos 9% dos empregos do país, a construção civil gera muito emprego e está sem poder trabalhar por uma tal curva que deveria ser achatada e entra mês e sai mês e seria muito interessante se a prefeitura e governo abrisse um portal da transparência para que eles pudessem comprovar com o que gastaram cada real mandado pelo Governo Federal”, finalizou.

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