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Lockdown pode terminar em tiro e morte, diz prefeito de Manaus

Arthur Virgílio disse que antes a cidade realizava de 20 a 30 enterros por dia e que agora já chegaram a registrar 140 enterros.

Bárbara Rodrigues
Teresina
13/05/2020 12h38 - atualizado 14/05/2020 09h24

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), em entrevista à BBC News Brasil, afirmou que apesar da situação crítica que a cidade vive, com várias mortes diárias em decorrência do novo coronavírus, não irá decretar lockdown, pois acredita que isso pode criar um caos social, com aumento nos casos de violência. Manaus possui 7.624 pessoas infectadas e 726 mortes.

O prefeito afirmou que “todo dia eu vejo mortes de pessoas que conheço" e que a situação chegou a um ponto em que a população está tão desesperada, e que isso tem criado casos de violência.

  • Foto: Reprodução/FacebookArthur Virgílio Neto, prefeito de ManausArthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus

Arthur Virgílio citou o caso do filho de um homem que morreu por coronavírus em Manaus e que atacou um coveiro que estava sendo responsável. "O coveiro! O coveiro. Se tivesse que espancar, espancasse o governador, espancasse a mim. Mas o coveiro...", lamentou o prefeito.

Ele disse que antes a cidade realizava de 20 a 30 enterros por dia e que agora já chegaram a registrar 140 enterros. Apesar da situação, o prefeito tem resistido a recomendação do Ministério Público do Estado do Amazonas, para que seja implementado um lockdown, que geraria um confinamento obrigatório, pois isso geraria um caos social.

"Eu penso, por exemplo, numa rebeldia popular grande. Daqui a pouco tem eleição. Um oportunista joga uma pedra… Eu já enfrentei uma ditadura. Apesar da minha idade, se tivesse outra, e não vai ter, eu enfrentaria de novo. Eu sei o que é a repressão, ela nem sempre depende do comandante. Dizia-se que na ditadura, não se tinha tanto medo do general, tinha medo do guarda da esquina. Então, joga uma pedra em alguém, começa um tiroteio com bala de borracha, que pode cegar alguém, começa a reação das pessoas, que vivem uma situação de desespero. Algo que termina dando em tiro, dando em morte. Eu acho que é uma medida [o lockdown] que deve ser tomada em ultimíssimo grau, assim como nós fazemos com a entubação. Último grau…", afirmou Arthur Virgílio. O prefeito destacou que vai manter as medidas restritivas.

Segundo o Atlas da Violência de 2019, mas que foi feito com dados de 2017, Manaus era a nona capital entre as líderes em taxas de homicídios no país. O ranking é liderado por Fortaleza (CE), seguida de Rio Branco, Belém, Natal (RN), Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE) e Aracaju (SE).

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