Teresina - PI

Médico Leonardo Eulálio é acusado de lavagem de dinheiro

As representações foram protocoladas pelo atual presidente da Unimed Teresina, Emmanuel Fontes, na última quinta-feira (21).

Raisa Brito
Chefe de Redação
24/12/2017 17h47 - atualizado 19h48

O ex-presidente da Unimed Teresina, o médico Leonardo Eulálio, foi denunciado ao Núcleo das Promotorias de Justiça Criminais de Teresina e à Delegacia Geral de Polícia Civil acusado de gestão fraudulenta, estelionato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita, associação criminosa e falsidade ideológica.

As representações foram protocoladas pelo atual presidente, Emmanuel Fontes, na última quinta-feira (21). Atualmente, Leonardo Eulálio é presidente do Sistema OCB/SESCOOP-PI.

“Espera-se que seja dada a resposta necessária pelo aparelho estatal a fim de que as irregularidades praticadas sejam punidas conforme o rigor da lei, reparando-se a lesão causada aos cooperados da Unimed Teresina”, cobra o presidente da cooperativa.

  • Foto: Facebook/Academia de Medicina do PiauíMédico Leonardo EulálioMédico Leonardo Eulálio

As irregularidades administrativas de Leonardo Eulálio, que ainda permanece à frente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Piauí e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Piauí, referem-se, principalmente, à construção do Hospital Unimed Primavera.

Eulálio foi destituído da Unimed Teresina, no início deste ano, em assembleias gerais convocadas pelo Conselho Fiscal da cooperativa, diante da constatação de supostas irregularidades. Porém, em não aceitando cumprir as decisões soberanamente tomadas por seus pares cooperados, teve que ser afastado por uma decisão judicial assinada pelo juiz da 6ª Vara Cível da Comarca de Teresina, Édison Rogério Leitão Rodrigues.

A operadora de planos de saúde também irá instaurar processo cível visando a reparação de prejuízos apurados pela cooperativa decorrentes dos possíveis danos relacionados aos fatos analisados na esfera criminal.

OCB/SESCOOP-PI

O Sistema OCB/SESCOOP-PI movimenta mais de R$ 3 milhões por ano e por este motivo o presidente do Conselho Fiscal da OCB-PI, Gilson Spíndola, teme o futuro do sistema após as denúncias contra o presidente: “O fato é que, auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o SESCOOP-PI saiu recentemente de uma intervenção nacional e, agora, encontra-se numa situação delicada, com seu presidente respondendo por crimes graves como estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa“, lamentou.

O conselheiro teme ainda pelo risco da saída iminente da Unimed do sistema cooperativista piauiense mais uma vez, "o que acarretaria em prejuízos sem precedentes, devido à credibilidade da cooperativa de planos de saúde e à perda de uma contribuição anual de R$ 1,5 milhão para o sistema."

O secretário geral da OCB-PI e presidente do Sicoob no estado, Willame Carvalho, alertou para o perigo que corre o Sistema OCB/SESCOOP-PI: “Se a situação permanecer assim, os bens de todos os membros dos conselhos Fiscal e de Administração das duas instituições poderão ser bloqueados pelo TCU a qualquer momento. Estamos fragilizados”, garantiu.

Outro lado

O médico Leonardo Eulálio divulgou uma nota rebatendo as acusações. Segundo ele, a denúncia é vazia e foi feita de maneira covarde e sensacionalista. Confira abaixo nota na íntegra:

"De maneira covarde e sensacionalista a atual diretoria da Unimed Teresina, capitaneada pelo médico Emmanuel Fontes e orientada pelos 5 escritórios de advocacia, atualmente pagos pela Unimed, apresentou ao Ministério Público, denúncia vazia envolvendo meu nome. Aguardaram, propositadamente, o último dia útil do judiciário. Tal manobra jurídica, de cunho notadamente político, visa unicamente *impossibilitar a contestação* do processo apresentado.

Desde o dia 15 de setembro protocolamos na Unimed a solicitação da documentação apresentada na Assembleia Geral do dia 13 de setembro. Jamais obtivemos êxito, tudo que nos foi entregue foi uma cópia da apresentação feita em Powerpoint pela auditoria e um documento para assinar abrindo mão de qualquer direito de contestação judicial.

Nenhum documento assinado, nenhuma prova concreta, NADA, nem mesmo a ata da assembleia nos foi entregue, mesmo depois de diversas ligações para o Presidente da mesa Dr. Raimundo Viana. Cabe salientar que nesta assembleia foi deliberado que eu deveria ter acesso a todos os documentos, bem como deveria ter o mesmo tempo dado à auditoria para formular minha defesa.

A diretoria da Unimed descumpriu a deliberação da Assembleia Geral, órgão máximo da cooperativa demonstrando seu total desrespeito pela opinião dos cooperados.

O único fato patente aqui é a abertura de um processo sem observância ao devido processo legal, uma vez que houve violação à ampla defesa e ao contraditório, o que , por si só, já tornaria todo o processo nulo.

A justificativa para o não fornecimento dos documentos é uma “cláusula de confidencialidade”, que também justificou a assinatura de um contrato sem valor explícito celebrado entre a Unimed e a ICTS Global consultoria, vulga Protiviti, para quem a Unimed pagou, em segredo, o valor de 383 mil reais por um serviço cujo valor não deveria passar de 80 mil. Para onde foi todo esse dinheiro ??? Cobraram 380 mil para entregar um resultado inconclusivo? Todas as notas fiscais estão lá, o prédio está lá, tudo pode ser auditado.

Uma empresa “renomada” não sabe calcular o valor do metro quadrado de uma obra e não consegue afirmar se ela foi ou não superfaturada?

Sim, sabem. Sabem também que a obra está abaixo do valor de mercado, mas não podem apresentar um resultado que não é interessante, politicamente, para quem está pagando a peso de ouro.

As denúncias vazias, o cerceamento de defesa, bem como o empenho e dinheiro gastos para dar ampla divulgação ao caso, nada mais são do que tentativas desesperadas de tirar o foco da catástrofe administrativa atual, que em menos de 10 meses, conseguiu afundar uma empresa, que até o início do ano, era considerada a 5.a melhor do Brasil em sua categoria.

Este comportamento covarde e leviano, seguido da clara necessidade de publicização, servem apenas para aumentar as especulações em torno do nome da cooperativa, já tão prejudicada por esse jogo de poder e que já teve como primeira consequência a falência da Unimed Piauí, cuja carteira teve que ser alienada às pressas por determinação da ANS.

Tenho uma auditoria feita por uma empresa de credibilidade e uma perícia judicial realizada pelo escritório do contador Antônio das Neves conhecido em todo território nacional. Tive todas as contas publicadas e aprovadas, sem ressalvas, pela ANS no triênio em que estive à frente da Unimed.

Aguardo tranquilo, pelo retorno do recesso do judiciário para que finalmente possa ter acesso aos documentos que me foram negados, e só então, ter assegurado o meu direito constitucional de defesa possibilitando o esclarecimento dos fatos e trazendo à luz a verdade, aos que realmente desejam enxerga-la."

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