Teresina - PI

Menino de 11 anos é humilhado ao vender bombons em Teresina

Após ouvir alguns comentários, o menino chegou em casa chorando, completamente triste e preferiu dizer primeiro sobre a situação para sua mãe, pois não queria ver seu pai em alguma possível confusão.

Willyam Ricardo
Teresina
Davi Fernandes
Teresina
21/01/2020 18h09 - atualizado 18h10

O pequeno Luís Neto de apenas 11 anos foi alvo de constrangimento somente por vender trufas de chocolate em uma pizzaria localizada no bairro Buenos Aires, na zona norte de Teresina. O fato aconteceu na noite do último sábado (18).

Em entrevista ao GP1, Neto Moreira, pai da criança, afirmou que seu filho se aproximou de uma mulher, que estava na companhia de outras duas crianças, e em seguida fez comentários sobre a situação do pequeno Luís Neto. “Foi a mãe e duas filhas, as meninas são crianças, provavelmente na mesma idade dele. Elas utilizaram o trabalho dele como um mau exemplo para as filhas dela não seguirem, dizendo que elas deveriam estudar para não terminar igual a ele, como se a vida dele fosse encerrar ali mesmo”, afirmou o pai.

  • Foto: Reprodução/InstagramLuís Neto Luís Neto

Após ouvir esses comentários, o menino chegou em casa chorando, completamente triste e primeiramente preferiu falar sobre a situação para sua mãe, porque não queria ver seu pai em uma possível confusão no local. Seu pai soube do ocorrido somente no dia seguinte.

“Ele falou para a mãe que estava mal, que queria ir embora, que queria sair dali e depois disse para a mãe o que tinha acontecido. Ela tentou explicar para ele que isso era bobagem, mas ele ficou tão sentido que chegou em casa chorando, não quis me dizer o ocorrido e associei que tivesse sido alguma coisa com a mãe dele, porque se ele me falasse na hora eu não saberia o que poderia ter feito, pois não ia deixar barato. Então, para não me ver em confusão, ele preferiu não me falar na hora e deixou para falar só no café da manhã do dia seguinte”, disse Moreira.

Apoio e estudos

O pai do pequeno Luís ainda relatou ao GP1 que seu filho vai cursar o 6° ano do Ensino Fundamental e que após a situação constrangedora recebeu apoio de diversas pessoas. O menino sempre foi o orgulho de seu pai com notas altas e com o sonho de se tornar defensor público.

“Ele vai fazer o 6° ano agora. Em outubro ele já tinha as notas fechadas para passar, nunca tirou uma nota abaixo de oito, sempre acima da média da escola. Todos os dias que ele acorda, pega meus livros, lê, vem falar comigo, perguntando. A ideia dele é ser Defensor Público. Eu não consegui localizar a mulher, mas ele a descreve como grossa e acho que ela já deve ter visto isso. E, com certeza, se ela aparecer, o que eu acho muito difícil, a gente vai agradecer, porque foi através disso que nós encontramos pessoas maravilhosas, não tem um mal que não traga o bem e a gente está muito feliz, não pelo fato dele ter sido humilhado, pois os humilhados serão exaltados, mas por ele ter sido agraciado por essa situação. Estamos vivendo um divisor de águas”, disse o pai.

Dedicação

Luís Neto, com seus 11 anos de idade, acompanha os pais na venda de trufas por insistência. Além de ser carismática, a criança já conseguiu, através de vendas, comprar seu celular, seu vídeo game e ainda ajuda nas despesas com a família.

“Eu nunca fui a favor, mas ele sempre quis acompanhar a gente, foi uma iniciativa dele. E quando a gente viu que com ele vendia com muito mais facilidade, ele tomou o caso para si mesmo e encantava todo mundo. Ele junta o dinheiro dele, compra as suas coisas, já comprou um vídeo game, comprou celular, às vezes ajuda dentro de casa, tem o seu dinheirinho guardado. Tem tudo sobre controle, a vida dele é controlada aos 11 anos de idade”, finalizou o pai.