Piauí

Músico piauiense denuncia agressão em festival de música na Bahia

Com uma arma apontada na cabeça, a princípio, o jovem disse que achou que se tratava de um assalto, mas percebeu que estava sendo revistado.

Willyam Ricardo
Teresina
Thais Guimarães
Teresina
13/01/2020 20h35 - atualizado 20h38

O músico piauiense Marcus Vinicius Teles, membro da Banda de Pifanos Caju Pinga Fogo, afirmou ter sido vítima de racismo, agressão e ameaça de morte durante um evento promovido pela Universo Paralello Festival, na madrugada do dia 01 de janeiro de 2020. O caso ocorreu na Praia de Pratigi, localizado no estado da Bahia.

Em seu depoimento escrito e divulgado em uma de suas redes sociais, Marcus afirma que estava voltando para a sua barraca, quando foi abordado por cerca de quatro seguranças. Com uma arma apontada na cabeça, a princípio, o jovem achou que se tratava de um assalto, mas percebeu que estava sendo revistado. O artista relata que, ao indagar o porquê de tal abordagem violenta, um dos seguranças o agrediu com um tapa no rosto e o mandou calar a boca. Um dos seguranças receberam, via rádio, ordens para soltar Marcus.

“Percebendo que se tratava de uma abordagem violenta, eu tentei falar ‘Caramba, mano. Vocês me derrubaram na areia e ainda bateram na minha cara só pra me revistar?'", diz um trecho do relato de Marcus.

O músico conta que, além da agressão física, também foi agredido verbalmente pelos homens. "O cara armado que tinha me mandado calar a boca, mesmo ciente de que eu nem mesmo era quem ele procurava, completou ‘cala a boca, que aqui é polícia, filho da p###'. Este mesmo me mandou levantar e me chamando de vagabundo”.

Em entrevista ao GP1, Marcus declarou que não conseguiu identificar nenhum dos envolvidos e não havia como cobrar tal informação por conta das ameaças e agressões que ele afirma ter sofrido. Marcus destacou que não registrou Boletim de Ocorrência por temer maus efeitos em relação a ele.

“Nenhum deles disse nome. Não havia como cobrar nada disso, estavam com armas apontadas para mim. Não foi registrado porque, devido a repressão que sofremos, não conseguimos ter provas o suficiente para gerar um boletim ou ação. Não tenho interesse em me envolver em algo tão desgastante e que talvez não me traga bons resultados. Preferi apenas trabalhar na divulgação do relato para alertar as pessoas”, relatou.

Ainda no depoimento em sua rede social, Marcus diz ter sofrido represálias por parte da produtora do espaço Palco Circulou e do técnico de som, após ter manifestado sua indignação durante o show.

  • Foto: Divulgação/FacebookUniverso Paralello Festival Universo Paralello Festival

“Como se não bastasse, no dia seguinte fomos coagidos pela produtora do Palco Circulou (um dos espaços do evento) e pelo técnico de som, do mesmo palco, pelo fato de termos nos manifestado no espaço em que, de acordo com a produtora, ‘fomos pagos para tocar’. O mesmo rapaz, que no evento paga de paz e amor, me ameaçou dentro do camarim, dizendo que ia ‘me quebrar na porrada’”, disse o jovem.

Outro lado

Nenhum representante do festival foi localizado para comentar o caso.

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