Teresina - PI

Operação Dictum: policiais pediam R$ 20 mil para cometer assassinatos

Em uma das gravações, um dos policiais revelou estar com “saudades de matar”.

Davi Fernandes
Teresina
02/12/2019 17h10 - atualizado 03/12/2019 15h31

Áudios divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), nesta segunda-feira (02), mostram policiais que foram presos na “Operação Dictum”, combinando de realizar assassinatos por valores que chegavam a R$ 20 mil. Em uma das gravações, um dos policiais revelou estar com “saudades de matar”.

Em um dos áudios, o ex-policial W. Silva, considerado líder da associação criminosa, estava combinando com o policial militar Rene Carvalho de agredir um homem no bairro Primavera, na zona norte de Teresina. Em um dos diálogos, Rene diz que “esse aqui não vale chumbo não, eu também estou doido para matar gente, mas esse aqui não vale chumbo não, só vale pisa mesmo”, disse.

Em outros áudios gravados, os policiais se organizavam entre si para roubarem cargas de cigarros, extorquirem comerciantes, e subtraírem drogas de algumas bocas de fumo, em seguida, o dinheiro arrecadado seria repartido entre os envolvidos.

Os envolvidos tratam-se de Genildo Vieira da Silva; Francisco das Chagas Lima Trindade; Helido Cunha de Sousa; Bruno Costa de Oliveira; Antônio Lopes Rosa; Rafael dos Santos Leal; Marcelo Ribeiro Rocha; Percyvall de Oliveira Ferreira; Lourival Ferreira de Carvalho Neto; Ellisson Costa Vieira; Wanderley Rodrigues da Silva, vulgo W.Silva; Erasmo de Morais Furtado e José Afonso Santos e Silva.

10 policiais

Ao todo foram presos nove policiais militares, um policial civil, um ex-policial militar e um não policial. Foram apreendidos ainda quatro revólveres, um calibre 32 e uma pistola.

“Com essas prisões que hoje realizamos entendemos que hoje aqui estamos cortando na nossa própria carne, mas cumprimos com nosso dever”, afirmou Fábio Abreu.

Modus Operandi

De acordo com o secretário, os policiais roubavam cargas de contrabando e estouravam bocas de fumo para revender a droga. Abreu detalhou que os policiais agiam contra pessoas que não podiam registrar Boletim de Ocorrência.

“Eles roubavam cargas de contrabando, principalmente de cigarros e revendiam em outros pontos. Atacavam pontos de vendas de entorpecentes, vendiam para outras pessoas. Eles faziam esse tipo de coisa, atacavam aqueles que não podiam registrar nenhum Boletim de Ocorrência. Praticavam pistolagem, de alguma forma, por recursos, por dinheiro, mas também em troca de armas. Fizeram algumas ações voltadas na questão de homicídio. É uma vasta participação em crimes”, afirmou.

Líder da quadrilha

O líder da quadrilha, segundo o secretário Fábio Abreu, era o ex-policial militar W. Silva, envolvido no roubo do Banco do Nordeste em 2017. W. Silva já tinha sido expulso da corporação e estava morando no Rio de Janeiro. O ex-policial foi preso ao desembarcar da aeronave no Aeroporto de Teresina.

O comandante da Polícia Militar, Lindomar Castilho, explicou a prisão de Wanderlei e que agora ele é um preso comum. “O Wanderlei Silva, foi preso como civil, inclusive estava no RJ e foi preso no desembarque dele aqui em Teresina. No momento em que desembarcava da aeronave, mas foi preso como um preso comum”, afirmou.

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