Teresina - PI

Pombos representam perigo à saúde em Teresina, alerta biólogo

Na Capital, é possível perceber a presença desses animais em grande quantidade na Praça da Bandeira, localizada no centro de Teresina e em diversos outros pontos da cidade.

Jonas Carvalho
Teresina
23/10/2019 14h41 - atualizado 18h03

Pombos da Praça da Bandeira oferecem riscos à saúde

O crescimento dos grandes centros urbanos, aliado à consequente redução dos habitats naturais de espécies nativas, fizeram com que animais de diferentes gêneros - ratos, cobras e baratas - migrassem rumo às metrópoles em busca de sobrevivência. Em Teresina, a questão gira em torno dos pombos.

Característica de regiões montanhosas, esse tipo de ave utiliza as edificações prediais para fazer seus ninhos por conta da semelhança com o habitat natural. Isso é o que diz o professor de Biologia, formado pela Universidade Federal do Piauí, João Miguel Costa, em entrevista ao GP1, na manhã desta quarta-feira (23).

Na Capital, é possível perceber a presença desses animais em grande quantidade na Praça da Bandeira, localizada no centro de Teresina e em diversos outros pontos da cidade. Para o professor, é preciso alterar a conduta hoje utilizada com o lixo produzido na cidade visando a prevenção de futuros danos à saúde populacional.

“A curto e médio prazo não [oferecem riscos]. Agora, da maneira como tratamos o lixo e esse ato de jogar alimento para eles, num futuro próximo, sim. Até agora não foi divulgado algum surto por causa dos pombos, mas devido a participação desses animais na disseminação de doenças, é provável”, alertou o professor.

Rápida reprodução

De acordo com João Miguel, os pombos servem como indicadores de poluição nos aglomerados populacionais. Em contrapartida, diferente das outras aves que se alimentam de ervas, raízes e grãos, nas grandes cidades os pombos se alimentam de restos de alimentos, carnes em decomposição e chorume de lixo, contribuindo para a proliferação de doenças.

Fatores como alimentação em abundância e curto período de incubação são cruciais para a proliferação exacerbada dos pombos nas cidades. “São animais dioicos, ou seja, de sexo separado e apresentam dimorfismo sexual, o macho é diferente da fêmea. O macho canta atraindo a fêmea, unem as cloacas e a fêmea fecunda os ovos. Daqueles ovos, dependendo da espécie e do tempo de incubação entre 23 e 24 dias, vão nascer novos pombos”, explicou João Miguel.

Doenças perigosas

Segundo o professor, o instinto migratório próprio da espécie favorece a proliferação de doenças, que atingem a camada mais superficial da pele, as meninges do cérebro, ou até mesmo a flora intestinal.

“Algumas dessas doenças são: Dermatites (manchas vermelhas na pele até feridas), infecção por Salmonela (bactéria geralmente pegamos na carne, mas como o pombo come carne, acaba transmitindo), Criptococose (que adquirimos com as fezes de pombo e afeta os pulmões), Encefalite (vírus que afetam as meninges do cérebro e causam fortes dores de cabeça e vômito em jatos) e Diarreia”, destacou.

Outro lado

Procurada pelo GP1, a Fundação Municipal de Saúde negou que a Praça da Bandeira seja de responsabilidade do órgão e direcionou o caso à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Conforme a assessoria da SEMAM, o contato com esses animais pode acarretar em problemas de saúde. Logo, o caso se torna de competência do Centro de Zoonoses de Teresina, vinculado à Fundação Municipal de Saúde.