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Procurador dos EUA renuncia após ordem para investigar eleição

Diretor da divisão de crimes eleitorais, Richard Pilger entregou o cargo e criticou a decisão do procurador-geral de permitir interferência federal na eleição.

Por  Estadão Conteúdo
10/11/2020 07h09

O procurador responsável pela divisão de crimes eleitorais do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Richard Pilger, renunciou na segunda-feira, 9, à noite, após a ordem do procurador-geral, William Barr, para investigar supostas irregularidades na eleição presidencial americana.

"Tendo tomado ciência da nova ordem e suas ramificações (...) infelizmente, devo renunciar ao meu cargo como diretor da Divisão de Crimes Eleitorais", anunciou Pilger em uma comunicação interna que vazou para a mídia norte-americana.

Pilger também lamentou que a ordem de Barr "revogasse uma regra de 40 anos de não interferência federal" em investigações de fraude eleitoral durante o período anterior à certificação das eleições.

A renúncia veio depois que Barr criticou o papel da divisão de Pilger na segunda-feira e instruiu todos os procuradores do Departamento de Justiça a investigarem supostas irregularidades nas eleições presidenciais anteriores antes que os resultados sejam confirmados formalmente.

"Autorizo a investigação de alegações substanciais de irregularidades na votação ou na apuração dos votos antes da certificação das eleições em suas jurisdições em certos casos, como já fiz em casos específicos", disse Barr em um memorando aos procuradores.

"Essas investigações e revisões podem ser feitas se houver alegações claras e aparentemente críveis de irregularidades que, se verdadeiras, poderiam afetar o resultado de uma eleição federal em um estado específico", acrescentou.

O procurador-geral do presidente Donald Trump também instruiu seus procuradores a descartar as denúncias de processos que, se verdadeiros, não afetariam o resultado final, pois podem ser retomados assim que os resultados forem certificados.

No memorando, Barr levantou preocupações sobre os protocolos existentes no Departamento para tal investigação, que afirmam especificamente que eles não devem ser ativados até que os resultados sejam oficiais.

Barr considerou esses protocolos - a que Pilger aludiu em sua renúncia e que visam aos Estados e não ao governo federal decidir as eleições - "passivos e retardados", e disse que "eles podem levar a situações em que a má conduta eleitoral não pode ser corrigida de forma realista. "

Com esta ordem, Barr colocou os promotores federais a serviço da estratégia de Trump, que não reconheceu sua derrota nas eleições da semana passada contra o presidente eleito, Joe Biden, e denuncia sem evidências uma grande fraude eleitoral.

A campanha do ex-presidente e do Partido Republicano já moveu mais de uma dezena de ações judiciais - algumas já retiradas - em vários Estados denunciando supostas irregularidades, mas, mesmo que esses casos fossem verdadeiros, não parecem ser suficientes para reverter o resultado. Para ganhar as eleições nos tribunais, Trump teria de inverter a votação na Pensilvânia, Geórgia e Nevada ou Arizona, todos eles estados nos quais Biden já foi declarado vencedor ou claramente lidera a votação.

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