Teresina - PI

Produtos têm até 100% de aumento nos preços na Ceasa em Teresina

O tomate e a cebola estão entre os produtos com maior alta. Permissionários e consumidores sentem no bolso a elevação dos preços.

Nayrana Meireles
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
02/06/2018 17h31 - atualizado 19h05

Greve dos Caminhoneiros ainda reflete nos preços de alimentos

O GP1 realizou um levantamento na Nova Ceasa, na zona sul de Teresina, e constatou aumentos de 100% nos preços de alguns produtos comercializados no local e repassados para os consumidores na Capital. O reajuste ainda é reflexo da greve dos caminhoneiros em todo o país.

Segundo o vendedor Lindomar, houve uma diminuição nas vendas devido à alta nos preços. “A caixa do tomate estava em torno de R$ 60 e agora estamos recebendo em torno de R$ 120. Mesmo com os preços altos estamos conseguindo vender, embora tenha diminuído a quantidade. Antes vendíamos o quilo a R$ 3,50 e agora estamos vendendo a R$ 5,00”, disse.

Em relação a cebola, houve um aumento de 100% no preço. “Na cebola, comprávamos de R$ 50 e agora pulou para R$ 100. Antes vendíamos a R$ 3 e agora vendemos a R$ 6. Deu uma caída nas vendas, em torno de 50%. Vai demorar um pouco para normalizar”, acrescentou.

O permissionário Francimar Bento explicou que os preços na Nova Ceasa subiram devido a escassez dos produtos durante o período de greve. "Sentimos um abalo muito grande em termos da elevação de preço. As verduras estavam mais em falta, os preços da batata inglesa e da laranja também chamaram muita atenção e teve muita gente que deixou de comprar, substituindo por outra coisa, pois uma coisa é a batata que estava sendo vendida no saco de R$ 90 pular para R$ 220, para a gente comprar e revender e o quilo foi de R$ 3 para R$ 6, daí não tem lógica um comércio desse. É batata, laranja e outras frutas que sumiram, como goiaba, manga [...] Teve muita gente que deixou de trabalhar aqui na Ceasa por falta de produtos", relatou.

Francimar acrescentou que a falta de produtos fez com que ele recorresse até mesmo aos supermercados para repassar os produtos a seus fornecedores. "Os clientes estavam achando que a gente estava se aproveitando da situação, mas não era isso, era pelo modo da compra que nós estávamos fazendo, preço muito elevado, que prejudica a nossa venda. Eu deixei de entregar várias mercadorias a fornecedores. Não tem nem como somar. Eu não tinha o produto para revender. Quando tinha no supermercado, eu procurei para fornecer aos clientes. Elevamos os preços de acordo com o valor que nós estávamos comprando. Tivemos um aumento de mais de 100%. Quem levava uma quantidade x, levava menos da metade, porque os preços estavam muito altos. Um produto de R$ 2 chegou a pular para R$ 8, um absurdo", admitiu o permissionário.

A auditora fiscal aposentada, Socorro Sales, não gostou dos novos preços repassados ao consumidor. “Todo sábado, há muitos anos eu venho aqui. Tem sempre essa uniformidade de preços. Depois da greve subiu muito os preços, antes não era assim. O tomate está entre R$ 3 e R$ 5. A cebola e o pimentão também aumentaram”, reclamou.

Ainda segundo a aposentada, fazer a lista de compras continua sendo essencial para economizar. “Para quem compra muita coisa é sempre bom fazer a lista. Porque tudo organizado é outra coisa. Se eu compro muito, vai ter coisa que não preciso e vou levar e coisa que preciso e não vou lembrar. Aí tem que se organizar. Organização é tudo, principalmente com o preço estando tão salgado”, finalizou a aposentada.

Greve dos caminhoneiros

As manifestações dos caminhoneiros no Piauí tiveram início no dia 22 de maio. Após nove dias de negociação, a categoria decidiu encerrar a greve. No dia 27 de maio, o presidente Michel Temer anunciou a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel e propôs ainda outras medidas a serem adotas após o término das manifestações.