Política

Relembre os fatos políticos bizarros que chocaram o país em 2017

O país presenciou ao longo de 12 meses a prisão de um ex-governador durante seu programa de rádio, a apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento e até um deputado que “tatuou” o nome de Michel Temer.

Andressa Martins
Teresina
24/12/2017 19h44 - atualizado 19h48

O ano de 2017 nem acabou, mas já queremos relembrar os fatos que mais marcaram durante esse período. Na política brasileira alguns fatos ficaram marcados por conta da bizarrice que as cercaram. O país presenciou ao longo de 12 meses a prisão de um ex-governador durante seu programa de rádio, a apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento e até um deputado que “tatuou” o nome de Michel Temer no braço.

Relembre os fatos que “chocaram” o país e deu um sentimento misto de vergonha e impunidade aos brasileiros.

O Quinto do Ouro

A operação O Quinto do Outro foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 23 de março e prendeu cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ).Dos dois que não foram presos, apenas um não estava envolvido no esquema. O outro conselheiro delatou os demais colegas.

  • Foto: Jales Valquer/Fotoarena/Estadão ConteúdoJoão Doria João Doria

Demissão ao vivo nas redes sociais

O prefeito de São Paulo, João Dória, quando ainda era popular no país, demitiu sua secretária de Assistência Social, Soninha Francine (PPS) via live do Facebook. Posteriormente, Soninha disse em entrevistas que não saiu da pasta em comum acordo, como o tucano citou. A situação foi constrangedora e Dória foi comparado pelos internautas com o apresentador Roberto Justus, que apresenta o reality show “O Aprendiz” e demite participantes que não foram bem nas avaliações. O fato aconteceu em abril.

Gafes de Temer

O presidente Michel Temer não se contentou com as gafes nacionais e passou para o âmbito internacional. Ao viajar para a Rússia, o cerimonial do Planalto afirmou que o presidente iria para a União Soviética, extinta em 1992. Temer insistiu na gafe e chamou empresários russos de soviéticos. Além dessa gafe, Temer ainda chamou o rei Haroldo V, da Noruega, de “rei da Suécia”, país rival. Ao pedir um brinde a Horácio Cartes, do Paraguai, o presidente Michel Temer chamou o país de Portugal.

  • Foto: André Dusek/Estadão ConteúdoSenadoras ocupam mesa no Senado e Eunício suspende sessãoSenadoras ocupam mesa no Senado e Eunício suspende sessão

Protesto à “luz de velas”

Para tentar combater a aprovação da Reforma Trabalhista ou mesmo mudar as regras sobre o trabalho de gestantes e lactantes, as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ocuparam a Mesa Diretora do Senado impedindo que Eunício Oliveira (MDB-CE) comandasse a sessão. As senadores Regina Sousa (PT-PI), Lídice da Mata (PSB-BA) e Kátia Abreu (MDB-TO) se solidarizaram com a causa. Eunício, irritado, ordenou que as luzes do Senado fossem apagadas e as senadoras permaneceram por horas na Mesa Diretora, chegando até a comer “quentinhas”.

Tatuagem

Um dos mais bizarros fatos aconteceu dias antes da votação da primeira denúncia contra Temer na Câmara. O deputado Wladmir Costa (SD-PA) exibiu uma tatuagem com o sobrenome do presidente e afirmou que “paraense não é de se arrepender não”. “Quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome”, disse para informar que a tatuagem era verdadeira. Quando a marca da tatuagem se apagou, o deputado afirmou que estava bêbado e não sabia que a tatuagem era de hena.

  • Foto: Facebook/Wladimir CostaDeputado Wladimir Costa tatua nome de Temer no ombroDeputado Wladimir Costa tatua nome de Temer no ombro

R$ 51 milhões

Em setembro houve a maior apreensão de dinheiro em espécie do país. Um apartamento ligado a Geddel Vieira Lima e seu irmão, Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) tinha R$ 51 milhões em espécie guardados em caixas e malas. Geddel voltou para a cadeia (ele já havia sido preso pela Lava Jato e conseguiu um habeas corpus) e chegou a chorar nas audiências, alegando risco de estupro. Em dezembro, os irmãos, a mãe e outras três pessoas foram denunciados pela Procuradoria0Geral da República por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

  • Foto: Divulgação/Polícia FederalDinheiro encontrado em apartamento que seria utilizado por GeddelDinheiro encontrado em apartamento que seria utilizado por Geddel

Cadê Garotinho?

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR) foi preso enquanto apresentava seu programa de rádio na Tupi FM. O “Fala Garotinho” voltou do intervalo com outro locutor, que alegou problemas na voz de Garotinho. Em 2016 Garotinho ficou famoso após se debater em uma maca de hospital após ser preso e agora, em 2017, o ex-governador denunciou ter sido espancado no presídio. As imagens das câmeras de segurança não mostraram outra pessoa seguindo para a cela do político. Garotinho foi solto pelo ministro Gilmar Mendes e passará o natal e réveillon com familiares.

“Nós não vai ser preso”

O empresário Joesley Batista tinha um plano e gravou conversas com o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), entregou 1500 pessoas e conseguiu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) lhe desse imunidade contra processos criminais. Até que um percalço apareceu: conversas do empresário com Ricardo Saud, da JBS, foram gravadas e o plano pode vir por água abaixo. “Nós não vai ser preso”, disse Joesley para Saud. Os dois permanecem presos.

  • Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Estadão ConteúdoLulaLula

Gafe do 31 de junho

O ex-presidente Lula responde a vários processos e em um deles é acusado de receber um apartamento em São Bernardo do Campo como propina da Odebrecht. Um contrato de fachada foi feito para parecer que se tratava de aluguel. Lula entregou recibos assinados por Glauco Costamarques, mas as datas chamaram atenção. Recibos datavam os dias 31 de novembro de 2015 e 31 de junho de 2016, mas esses meses eram de apenas 30 dias. O Ministério Público Federal abriu um incidente de falsidade para investigar a possível falsificação dos recibos.

Ração Humana

Ao tentar defender o projeto do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), de distribuir uma comida processada chamada farinata, o secretário Filipe Sabará (Assistência Social) passou por um constrangimento. Durante entrevista o secretário provou o alimento, fez cara de quem não gostou e disse “melhor que passar fome”.

Cinema VIP

A Igreja Batista do Méier dou para a Cadeia Pública de Benfica, no Rio de Janeiro, aparelhos para que houvesse a instalação de um “cinema”. A doação foi feita para agraciar o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que está detido no presídio. Com a pressão popular, a instalação da cinemateca foi cancelada.

  • Foto: Reprodução/PSDBMinistra Luislinda ValoisMinistra Luislinda Valois

Ministra escrava

Como se não fosse fácil a situação financeira dos brasileiros, a ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) protestou contra a regra que a impede de receber além do teto constitucional (R$ 33.700 mensais). Luislinda é desembargadora aposentada e tem direito a receber mais de R$ 30.000 e queria receber na íntegra o salário de ministra, chegando a mais de R$ 61.000. Recebendo 35 vezes o valor do salário mínimo, Luislinda citou escravidão em seu pedido de salário integral. Após a reação da população, a ministra decidiu esquecer a causa e continuar como “escrava”, recebendo a bagatela de R$ 33.700.

Queijo na cueca

O primeiro deputado-presidiário do Brasil, Celso Jacob (MDB-RJ), poderia sair da prisão para cumprir agenda na Câmara Federal. Após meses na rotina do vai e vem da Papuda, Jacob foi pego tentando entrar no presídio com queijo importado na cueca. O deputado perdeu o benefício e está em tempo integral no presídio.

Debochando do próprio projeto

O deputado estadual Felipe Attie (PTB-MG) passou por uma situação constrangedora após ouvir os assuntos que estariam na pauta. Attie debochou de um projeto que criaria o Dia do Coach: “Do coach? Esses deputados... é brincadeira”. O problema é que foi o próprio deputado quem propôs a pauta.