Teresina - PI

Sargento do Exército nega envolvimento na morte da esposa em Teresina

Nilson José da Luz Nascimento, é acusado de envenenar e de jogar em um rio o corpo da esposa Josélia do Nascimento Fontenele, de 31 anos.

Bárbara Rodrigues
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
11/09/2019 12h16 - atualizado 12h25

A 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina realizou na manhã dessa quarta-feira (11) a audiência de instrução e julgamento contra o sargento reformado do Exército, Nilson José da Luz Nascimento, que é acusado de envenenar e de jogar em um rio o corpo da esposa Josélia do Nascimento Fontenele, de 31 anos, no ano de 2009.

A audiência foi conduzida pelo juiz Danilo Melo de Sousa, na sala das Audiências do Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, em Teresina. Foram ouvidas três testemunhas e o acusado foi interrogado, onde negou envolvimento na morte de Josélia. Agora o processo entra na fase de alegações finais.

  • Foto: Helio Alef/GP1Fórum Criminal de TeresinaFórum Criminal de Teresina

A partir de amanhã, o Ministério Público do Estado, que faz a acusação, poderá apresentar a alegação final ou requisitar nova diligência. Caso ele apresente a alegação, a defesa terá também cinco dias para manifestar e depois o juiz Danilo Melo decide pela mudança do enquadramento ou pela pronúncia do réu, onde o acusado será julgado pelo Tribunal do Júri.

O advogado Nazareno Thé, faz a defesa de Nilson, e afirmou que não existem provas contra o sargento e destacou que o casal vivia bem. “Ele disse que não é verdadeira a acusação, que sempre viveu muito bem com a esposa, e tudo que está acontecendo é por conta de uma indisposição por parte da mãe da esposa dele, que nunca quis o casamento deles e sempre fez oposição a ele. As testemunhas apontaram que eles viviam bem, todas as pessoas que tinham contato com eles informaram que eles viviam bem e que o relacionamento era muito respeitoso entre o marido, a mulher e os dois filhos”, explicou o advogado.

Nazareno Thé destacou que não existem provas de envenenamento. “Existe essa versão, mas é difícil saber a causa da morte, até porque ela foi achada com quase quatro dias após a morte e muita coisa desaparece após isso”, afirmou.

  • Foto: Helio Alef/GP1Nazareno TheNazareno Thé

Acusado nega crime

Em entrevista exclusiva ao GP1, o sargento do Exército Nilson Luz, de 46 anos, afirmou que existem testemunhas que viram a sua esposa Josélia saindo de casa para ir ao trabalho e negou qualquer envolvimento na morte.

“Eu não fiz nada. Primeiro disseram que eu tinha afogado ela. Isso não existe. Disseram que eu tinha uma piscina em casa, afoguei ela e joguei o corpo fora. Lá em casa tinha um tanque e nem funcionando estava, pois estava rachado e desativado há anos. Depois apareceu a versão que botei veneno. Essa é outra coisa que não existe. Ela saiu de casa de manhã, como saía todos os dias. Inclusive, quando ela saiu, tinha uma pessoa comigo na porta de casa, um conhecido nosso. Ela saiu e deu tchau dizendo que iria para o trabalho. Essa pessoa viu isso. Depois eu fui deixar o menino no colégio. Como eu estava de licença [de saúde], eu esperava o menino sair do colégio, pegava ele e deixava na casa da minha mãe. Como é que eu vou fazer o que estão dizendo, que eu peguei o corpo dela 9h, botei no carro e fui lá no Saci jogar o corpo?”, questionou.

Ele explicou que sempre teve um bom relacionamento com a esposa e que não sabe o que aconteceu com Josélia. “Eu espero que tudo seja esclarecido e eu inocentado. Eu vivia muito bem com ela. Disseram que eu vivia brigando, espancando, não existe isso. Pode ir para qualquer delegacia, eu não tenho nenhum registro. Sempre fui um militar exemplar”, destacou.

Entenda o caso

Nilson José da Luz de Nascimento é acusado de ter envenenado e jogado no rio Parnaíba a própria mulher, Josélia do Nascimento Fontenele, de 31 anos, assistente de caixa do Hiper Bompreço, do Teresina Shopping, desaparecida no dia 29 de março de 2009.

O corpo de Josélia foi encontrado no dia 2 de abril, do mesmo ano, boiando nas águas do Rio Parnaíba, no povoado Mocambinho, no município maranhense de Buriti da Inácia Vaz, Baixo Parnaíba.

De acordo com levantamento feito na época pela delegada Alexandra Santos, da Delegacia da Mulher da zona leste, Josélia teria sido envenenada pelo marido, transportada já morta dentro de um automóvel Gol com vidro fumê até o ponto em que foi jogada no rio, provavelmente a altura do Conjunto Saci, na zona sul de Teresina.

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