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Suécia endurece restrições para conter o novo coronavírus

Primeiro-ministro fez um apelo para que a população atue para conseguir acabar rapidamente com a transmissão do vírus.

Por  Estadão Conteúdo
16/11/2020 16h46

A Suécia, que segue uma estratégia menos rígida do que a maioria dos países europeus diante da pandemia de covid-19, anunciou nesta segunda-feira, 16, que vai limitar as reuniões públicas a um máximo de oito pessoas, medida que é tomada pela primeira vez com o aumento dos contágios.

As reuniões, que podem até ser de 50 a 300 pessoas dependendo do caso, serão de oito pessoas a partir do dia 24 de novembro, medida "necessária" para diminuir a curva de contágio, justificou o primeiro-ministro Stefan Löfven em uma entrevista coletiva.

Esta é a segunda proibição decretada em menos de duas semanas pelo governo do país, após a proibição da venda de bebidas alcoólicas por estabelecimentos a partir das 22h (hora local), além do fechamento de bares, restaurantes e boates a partir das 22h30.

Löfven justificou a medida de hoje devido ao baixo cumprimento das proibições anteriores, mas admitiu que se trata de algo "compreensível", devido a longa duração da pandemia.

Ainda assim, o primeiro-ministro fez um apelo para a população, para que todos atuem para conseguir acabar rapidamente com a transmissão do vírus.

"A situação no nosso país é complicada e sensível. E vai piorar. Cumpra com seu dever, assuma a sua responsabilidade para frear a propagação. Não vá à academia, nem à biblioteca, nem jantar ou à festas. Fique em casa", disse o chefe de governo.

É uma das raras proibições decididas pelo país escandinavo, cuja estratégia particular e atípica o colocou nos últimos meses sob o olhar de todo o mundo.

O país, com 10,3 milhões de habitantes, desenvolveu uma estratégia de saúde sem máscaras, confinamento ou fechamento de lojas, mas convocou a população a limitar ao máximo os contatos e o teletrabalho.

Essas "recomendações" são consideradas regras, mas não são acompanhadas de medidas coercitivas ou sanções, econômicas ou de outra natureza, exceto no que diz respeito a reuniões públicas.

No plano privado, esta última também tem o caráter de recomendação e não de proibição em sentido estrito.

Os restaurantes e bares também continuarão mantendo a autorização para receber mais de oito pessoas, mas não mais de oito por mesa.

Suécia tem número de casos muito maior que os vizinhos

Após uma primeira onda em que a Suécia teve cinco vezes mais mortos do que a Dinamarca, dez vezes mais que a Noruega, enquanto o governo do país recebia críticas pelas normas leves, havia uma tendência de queda, que foi revertida.

Nas últimas duas semanas, de acordo com os dados divulgados pelas autoridades locais, a incidência chegou a 511,5 casos de infecção por cada 100 mil habitantes, mais do que o dobro da Dinamarca, e mais do que Holanda e Reino Unido, outros países muito afetados nesta segunda onda.

Na sexta-feira, data da última publicação, foram anunciados quase 6 mil novos casos e mais 42 mortes, elevando o total para mais de 177 mil infectados e 6.164 mortes.

"O rápido aumento que vimos na Europa chegou aqui com muita força. A carga no sistema de saúde aumentou de forma clara e isso indica um contágio crescente", admitiu o diretor da Agência de Saúde Pública, Johan Carlson.

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