Economia e Negócios

Vendas do varejo têm 5ª alta seguida, mas perdem força em setembro no Brasil

Crescimento foi de 0,6% na comparação com agosto; segmento de hiper e supermercados sentiu o efeito do aumento nos preços dos alimentos e recuou 0,4%.

Por  Estadão Conteúdo
11/11/2020 10h37

As vendas do comércio varejista cresceram 0,6% em setembro na comparação com agosto, na quinta alta seguida desde maio, e 7,3% em relação ao mesmo mês de 2019. Mas o resultado indica desaceleração do setor, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quarta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho do comércio ficou abaixo da média das estimativas feitas por analistas do mercado ouvidos pelo Projeções Broadcast, de avanço de 1,4%

“Trata-se de uma diminuição do ritmo de crescimento nos volumes do varejo nacional. A desaceleração é natural e representa uma acomodação, porque as quedas de março e abril foram muito expressivas, o que fez com que os meses seguintes de recuperação também tivessem altas intensas. A desaceleração é como se a série estivesse voltando à normalidade”, disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. O varejo avançou 3,1% em agosto, 4,7% em julho, 8,7% em junho e 12,2% em maio.

Ele destacou o resultado forte do trimestre de julho a setembro. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 17,2%, recorde da série história iniciada em 2000.

“Isso ocorreu, porque os trimestres anteriores apresentaram desempenho muito baixo: -1,9% no primeiro e -8,5% no segundo. Em relação ao terceiro trimestre de 2019, o aumento é de 6,3%, a maior alta desde 2014”, ressalta Santos.

Cinco das oito atividades do comércio pesquisadas tiveram taxas positivas na comparação com agosto: livros, jornais, revistas e artigos de papelaria (8,9%); combustíveis e lubrificantes (3,1%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,1%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (1,1%) e móveis e eletrodomésticos (1,0%).

Tiveram queda os segmentos de tecidos, vestuário e calçados (-2,4%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,4%).

O resultado do setor de hiper e supermercados já sente a inflação dos alimentos. De abril a setembro, o setor teve crescimento de 10,6% na receita, enquanto em volume o ganho foi de 4,7%.

O varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu 1,2% em relação a agosto de 2020, também na quinta variação positiva consecutiva do indicador. O setor de veículos, motos, partes e peças cresceu 5,2% enquanto em material de construção avançou 2,6%, ambos, respectivamente, após avanços de 8,3% e 3,6% no mês anterior.

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