Eleições 2018

Wellington Dias é bastante criticado pela oposição em debate

O programa foi dividido em quatro blocos, onde os candidatos puderam fazer perguntas para os concorrentes e responder sobre alguns temas selecionados pela produção do programa.

Bárbara Rodrigues
Teresina
Andressa Martins
Teresina
01/09/2018 16h56 - atualizado 16h56

Os candidatos ao Governo do Piauí Elmano Férrer (Podemos), Luciano Nunes (PSDB), Wellington Dias (PT), Valter Alencar (PSC), Dr. Pessoa (SD), Sueli Rodrigues (PSOL) e Fábio Sérvio (PSL) participaram neste sábado do debate Fogo Cruzado, da TV Antena 10.

Na ocasião os candidatos tiveram a oportunidade de apresentarem as propostas. O governador Wellington Dias foi o principal alvo dos candidatos da oposição, onde foi bastante criticado pela sua gestão. O petista precisou pedir por várias vezes pelo direito de resposta.

O programa foi dividido em quatro blocos, onde os candidatos puderam fazer perguntas para os concorrentes e responder sobre alguns temas selecionados pela produção do programa.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Debate na TV Antena 10Debate na TV Antena 10

Confira:

Primeiro bloco

O candidato Fábio Sérvio questionou Dr. Pessoa sobre a Educação e acusou o atual governo de não reprovar os alunos para aumentar o índice de aprovação. Sérvio afirmou que “a realidade é bem diferente do que aparece na propaganda” e criticou as condições de trabalhos nas escolas do estado. “Como um professor vai exigir de um aluno atenção se no horário de pico do sol não tem climatização nas escolas? Não tem o mínimo”, afirmou Sérvio, que disse ainda que a solução seria ter “compromisso com os professores e com os pais dos alunos”.

Dr. Pessoa aproveitou a oportunidade para defender uma escola integrada com a família dos alunos. “A educação no nosso governo vai ser trabalho dentro da escola com internet, climatização, biblioteca, funcionários bem pagos. A escola moderna tem que estar integrada com a sociedade, com a família. A escola moderna tem que ter transporte de qualidade, tem que ter esporte e lazer, tanto dentro da escola quanto fora da escola”, afirmou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Luciano Nunes e Sueli RodriguesLuciano Nunes e Sueli Rodrigues

Luciano Nunes afirmou que Teresina tem a “melhor educação do Brasil” enquanto as escolas estaduais estão “no fim da fila”. O tucano disse ainda que é “importante valorizar a educação” com uma gestão séria com planejamento. “Não só educar, mas preparar eles para o futuro com escola de tempo integral para todo o Piauí”, afirmou Luciano. O candidato Elmano Férrer (Podemos) relembrou a época que esteve à frente da Prefeitura de Teresina e concordou com o tucano sobre a capacitação e valorização dos professores.

O candidato à reeleição Wellington Dias parabenizou a capital pelo resultado do IDEB, mas afirmou que está trabalhando “cumprindo a legislação”. Sobre a Operação Topique, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), o governador explicou em direito de resposta que trabalha com a “presunção da inocência”.

“O fato é que essa investigação começou em 2013, envolve empresas. Não é uma investigação que a secretaria seja parte dela. Eu espero que as empresas, os envolvidos, como já aconteceu, apresentem sua defesa”, explicou. Wellington afirmou ainda que vários envolvidos na operação já foram soltos.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Wellington Dias e Doutor PessoaWellington Dias e Doutor Pessoa

Segundo bloco

Durante o segundo bloco do debate Fogo Cruzado a pauta mais tratada pelos candidatos foi a Segurança Pública. Dr. Pessoa diagnosticou que a segurança do estado “está na UTI” e Sueli Rodrigues propôs a desmilitarização da polícia. Segundo a candidata isso “não significa o fim da Polícia Militar” mas defende que é necessário “tratar as duas polícias como uma só”.

Em uma etapa do debate o governador Wellington Dias questionou Sueli sobre a saída para os pequenos furtos que acontecem diariamente no estado. A candidata pelo PSOL afirmou que “a política de segurança deve estar conectada à política de enfrentamento, que é o problema mais grave, que é a desigualdade social”.

“É preciso que os jovens se percebam com expectativa de vida, que haja uma base familiar que o acolha, uma educação que o acolha, não uma educação que o expulse ou militarizada que o ataque pela condição de ser”, afirmou Sueli, cutucando Fábio Sérvio, que defendeu a escola militarizada. Wellington Dias concordou com a candidata e afirmou que ampliou a escola de ensino integral e fez políticas para ressocializar usuários de drogas. Dias ainda defendeu “trabalhar a segurança pela classificação de risco”.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Elmano Férrer e Valter AlencarElmano Férrer e Valter Alencar

“Há necessidade de a gente cuidar dessas pessoas. Por ano aproximadamente 2700 pessoas, sejam menores ou adultos, atendidos no tratamento de drogas. O juiz ao invés de mandar para a cadeia, manda para se tratar das drogas em várias regiões do estado”, afirmou.

Fábio Sérvio, no entanto, disse que “a segurança do atual governo falhou” e citou o dinheiro gasto pelo governo com publicidade. Segundo o candidato o governo gastou 47 milhões em publicidade enquanto com a segurança “gastou apenas e tão somente 60 milhões de reais, 10% do que gastou Alagoas, que tem a mesma receita” do Piauí. Sérvio não acredita que o problema da Segurança seja apenas a quantidade de policiais nas ruas, mas Elmano fez um balanço com o efetivo de 2018 e de 25 anos atrás, que segundo ele possuía pelo menos dois mil policiais a mais.

Wellington x Luciano

Durante confronto com Wellington Dias o tucano Luciano Nunes disse que “no Piauí tem se perdido postos de trabalho enquanto no resto do Brasil tem aumentado”. O petista se defendeu afirmando que o ano de 2018 o governo fechou com “saldo positivo assim como os anos anteriores apesar da recessão que vocês causaram com o golpe” da ex-presidente Dilma Rousseff.

Nunes cobrou ainda a obra da Trancerrados, que segundo ele, “se arrasta a mais de 12 anos” e o governo de Wellington “não consegue concluir”. O tucano afirmou que o desemprego no estado “reflete um equívoco da política implementada pelo governo” e que a não conclusão das obras “penaliza o setor produtivo”.

Sérvio x Wellington

O candidato Fábio Sérvio questionou o governador sobre o gerenciamento das barragens do estado, tendo em vista que em 2009 a barragem de Algodões rompeu e atualmente consta que 17 barragens podem romper. Wellington rebateu as críticas e afirmou que o relatório que Fábio teve acesso “foi feito pelo próprio estado”, mas explicou que “tem uma parte das barragens que são [competência] do governo federal”.

Elmano x Wellington

O senador licenciado Elmano Férrer questionou o atendimento do plano de saúde do funcionário público estadual, o PLAMTA e IASP, que pouco tempo atrás teve atendimento suspenso por falta de pagamento aos hospitais, clínicas e médicos credenciados.

Dias afirmou que este “é o maior plano de saúde que a gente tem” e disse que tudo já foi regularizado após um entendimento feito pelo governo do Estado.

Terceiro e Quarto blocos

No terceiro e quarto blocos houve um sorteio, onde cada candidato teve a oportunidade de apresentar as suas propostas sobre dois temas. Confira sobre o que cada um falou:

Professora Sueli Rodrigues:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Sueli RodriguesSueli Rodrigues

Educação

“A educação consta como uma centralidade e temos propostas para a educação básica e o ensino superior. Partimos para a valorização dos profissionais do ensino superior. É preciso desenvolver uma cultura de pertencimento, que identifique as nossas raízes culturais, negras e indígenas, a valorização dos direitos humanos, para aprender a ser cidadão, que pertencemos ao mesmo pacto de nação. Precisamos valorizar a mulher e a população negra e isso vai ser conteúdo do nosso modelo de educação”, afirmou a candidata.

Desenvolvimento

“Essa pauta faz parte da minha vida há bastante tempo. É preciso ver como desenvolver garantindo a vida das pessoas e meio ambiente, temos um plano de desenvolvimento do atual governo, onde os empresários ganham isenção fiscal de 30 anos e nenhum pequeno empreendedor ganhar nenhum tipo de incentivo, pelo contrário, é atacado. A agricultura familiar nesse processo de desenvolvimento tem sido para atacar os pobres. Até o correto, chega de forma incorreta, como é a questão da energia solar e eólica”, destacou.

Valter Alencar:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Valter AlencarValter Alencar

Meio Ambiente

“É uma porta de entrada para emprego, tivemos prisões na Semar nessa semana porque se investiga a venda de licenças ambientais. Tivemos a Suzano que poderia estar aqui gerando empregos, essa é uma realidade que merecemos, mas que não está aqui. Temos um poder público que mente que vai gerar emprego, quando vende licenças ambientais. O meio ambiente será a nossa bandeira. É problema de gestão e é isso que faremos”, disse o candidato.

Inclusão Social

“Os projetos precisam ser concluídos e a inclusão social significa deixar a margem para o desenvolvimento social. A inclusão que quero fazer é para aqueles que buscam saúde, quando vamos acabar com a mortalidade infantil de cada 43 crianças a cada mil, valorizar o médico que precisa ter estrutura”, defendeu.

Fabio Sérvio:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Fábio SérvioFábio Sérvio

Saneamento Básico

“Teresina possui apenas 17% de saneamento. No inteiro do Estado do Piauí a situação é mais grave ainda. O atual governador teve muito tempo para resolver os problemas, teve muitos recursos no governo do Lula e da Dilma, mas Agespisa foi sucateada. O tempo passou e depois dela ser sucateada, entregaram para a iniciativa privada. Eu sou a favor da inciativa privada, mas deve ser feita da forma correta. Sabíamos quem ia vencer a licitação da Agespisa, e vou antecipando que há um projeto para todo o estado assim como ocorreu em Teresina, para beneficiar apenas uma empresa”, criticou.

Mobilidade Urbana

“O estado tem uma dívida externa que de 2017 para cá alcançou o maior volume, onde 90% desses recursos não se sabe onde foi aplicado. Um exemplo é do Rodoanel de Teresina, disseram que a empresa faliu. Isso não é verdade, pois o que fizeram foi passar por quatro assentamentos do Incra, foi isso que aconteceu. Temos aí a duplicação das BRs, é preciso pensar maior, pensar grande, não é só fazer calçamento, há outras prioridades, nenhum desses empréstimos para mobilidade conseguiu sanar os problemas das cidades. Os últimos governantes do Piauí jogaram fora mais de R$ 4 bilhões e essa é a verdade”, afirmou.

Wellington Dias:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Wellington DiasWellington Dias

Infraestrutura

“Trabalhamos na infraestrutura de transporte, com os aeroportos de São Raimundo, de Parnaíba e Floriano. Só tínhamos 66 municípios que tinham asfalto. Hoje está faltando completar poucos, mas há em obras em Pavussu, Dom Inocêncio, Domingos Mourão, Guaribas, Morro Cabeça do Tempo, ou seja, completando todos os municípios. Fizemos Infraestrutura de Comunicação e que trouxe desenvolvimento”, pontuou.

Saúde

“Sou grato ao Marcelo Castro, que foi ministro da Saúde por ter praticamente dobrado os recursos de Saúde do Piauí, e também ao Ciro que trabalhou da mesma forma, para viabilizar investimentos para o estado. O Piauí tem médicos em vários municípios, agentes de saúde, e com unidades básicas equipadas, o Piauí tem hoje regionais fazendo exames e seguranças. Tem problemas, tem, mas temos a coragem de trabalhar, mas nós estamos fazendo e garantindo o trabalho, é uma política que salva vidas”, destacou o governador.

Luciano Nunes:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Luciano NunesLuciano Nunes

Agronegócio

“É um tema importante, o candidato [Wellington] falou de infraestrutura, mas nisso temos as estradas. Temos aí a Transcerrados parada. É importante falar a verdade. Os cerrados piauienses batem a todo ano a produção, mas isso se deve aos produtores que não possuem ajuda do estado. Temos os pequenos agricultores que não possuem assistência técnica do Emater e nem da Adapi, onde não possui valorização do servidor e nem estrutura. Nós vamos construir a Transcerrados, que é uma questão da honra da nossa gestão para desenvolver o estado”, disse o tucano.

Segurança Pública

“Esse é o governo que mais aumentou impostos no Piauí, mas foi também que mais se endividou e pior, sem dar retorno para a população. Isso se reflete na segurança, aliás, na falta dela. Primeiro temos que investir na educação, formando o cidadão, educando e formando eles para o futuro, precisamos pensar na segurança do futuro, hoje teme pouco efetivo da polícia militar e civil, temos que investir em equipamentos, tecnologia e inteligência, vamos reimplantar o Ronda Cidadão”, afirmou.

Dr. Pessoa:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Dr. PessoaDr. Pessoa

Emprego e Renda

“São vários víeis, mas o desenvolvimento econômico é importantíssimo, mas para isso precisa de uma infraestrutura que o estado não tem. Falta energia de qualidade, falta transporte, qualificação do jovem, falta mercado. Esse é o estado brasileiro onde mais saem jovens para outros estados. Potencialidades tem demais, mas os incentivos são do compadre ou da comadre, e não um incentivo baseado na lei”, criticou o candidato do Solidariedade

Economia

“No governo do Wellington não tem prioridade. Dinheiro tem, mas não tem prioridade. Nem as potencialidades, nem infraestrutura, nem mercado, tudo isso junto acarreta para se ter uma boa economia. A humanidade precisa ter pessoas séria para se ter um equilíbrio entre a mãe natureza, o homem e as políticas públicas. Os que estão governando aí, parecem que querem entregar a alma para o diabo e não para o povo”, afirmou.

Elmano Férrer:

  • Foto: Lucas Dias/GP1Elmano FérrerElmano Férrer

Dívida Pública

“Um dos mais graves problemas que o estado que vive é o do endividamento. Deve o que não pode pagar. Em 2016 aprovamos um bilhão de reais, em 2017 teve esse outro empréstimo da Caixa Econômica e este ano a situação do Estado é dramática. O governo está fazendo o impossível para pagar os servidores. Seja quem for o governador, vai enfrentar um grande desafio, 75 órgãos nesse estado preenchidos todos por políticos, por isso está assim. Os interesses individuais acima dos coletivos”, disse o senador.

Ajuste fiscal

“O estado tem 75 órgãos, preencheram todos com critérios políticos e partidários. Temos que inverter o processo, para aumentar a base. Não é possível penalizar quem quer vir para aqui, com a carga tributário que tem o Piauí. Hoje se penaliza o pobre”, criticou.

Considerações finais dos candidatos:

Sueli: “Eu não sou da política, do balcão de negócios que já compromete o orçamento público no momento que se candidata. Eu sou da política da vida, do cotidiano, e você eleitor, espero que tenha discernimento, que esses projetos são todos querendo manter a distribuição da riqueza do jeito que está. Temos um programa de governo para enfrentar as dificuldades. As promessas que eles fizeram aqui está vinculado na distribuição de cargos”, afirmou.

Luciano Nunes: “O Piauí vive um momento muito triste, um desmantelamento da máquina pública, um abandono, uma falta de compromisso com os piauienses, mas não estamos condenados ao atraso e é em nome desse sentimento de mudança que podemos fazer mais e que estou pedindo essa oportunidade para fazer um governo sério, levando prestação de serviço de qualidade, valorizando o servidor público e os piauienses que querem trabalhar. Me coloco como uma opção, queremos mudar com seriedade e compromisso”, defendeu.

Valter Alencar: “Quero fazer um governo com esperança para o povo piauiense manter essa chama acesa. A proposta é fazer mudança com o povo. Essa é minha primeira vez como candidato. Fui advogado e juiz. Queremos gerar oportunidades, empregos aos jovens, tudo isso neste mundo real, uma oportunidade que tem que estar para todos e principalmente sem roubar e nem deixar roubar. Precisamos ter um novo Piauí”, afirmou.

Elmano Férrer: “Você piauienses estão satisfeitos com o que passa no nosso estado? Essa é a pergunta que faço. É um momento de fazer uma mudança. Não deixar de votar jamais. Comparecer às urnas, escolher o melhor para o estado. O candidato Wellington foi governador três vezes e creio que é a hora da mudança. Nós temos esperança, temos um estado rico, a mudança é fundamental, escolher quem tem experiência, probidade. Tudo isso deve prevalecer na hora da escolha”, disse o senador.

Fábio Sérvio: “As mães que perderam os filhos para as drogas, aos policiais que sacrificaram as suas vidas sem contrapartida do estado, aos professores que lutar por 72 dias pela melhoria salarial. Nós temos uma oportunidade de promover uma mudança verdadeira no estado, de tirar uma velha política, para uma nova história. Queremos um novo Brasil”, explicou.

Wellington Dias: “Estou na política porque acredito no Brasil e no Piauí. Quero agradecer a nossas militâncias, aos nossos líderes e aos que estão comigo nessa caminhada. Prometo trabalhar muito pelo Piauí. Dizer que acredito no Piauí, porque o que eu olho o que aconteceu na segurança, na educação, na saúde, por isso vamos juntos trabalhar com a força do povo e vencer essa eleição”, destacou o governador.

Dr. Pessoa: “O povo tem que escolher político que tem mãos limpas. Que o povo saiba diferenciar no dia 7 de outubro. Essa é a nossa missão, gostaria de ser um missionário como Deus fez com Moisés no Egito. E aqui quero cumprir minha missão. A minha atitude é uma missão e a minha história é limpa”, finalizou o parlamentar.