Política

Celso de Mello dá mais 30 dias para PF fechar inquérito Moro x Bolsonaro

Ministro autorizou pedido da delegada Christiane Correa Machado, chefe do Serviço de Inquéritos Especiais no STF, que teve ‘expressa concordância’ da Procuradoria-Geral da República.

Por  Estadão Conteúdo
08/06/2020 15h39 - atualizado 17h11

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a prorrogação do inquérito sobre suposta tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal por mais 30 dias. A medida se dá a pedido da delegada Christiane Correa Machado – chefe do Serviço de Inquéritos Especiais no STF e responsável pela condução do inquérito na PF – e tem ‘expressa concordância’ da Procuradoria-Geral da República.

No pedido de prorrogação, a PF sinalizou a necessidade de realização de novas diligências para conclusão das investigações. Na ocasião indicou ainda que pretendia tomar o depoimento do presidente Jair Bolsonaro na investigação aberta após as acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro ao anunciar sua demissão.

Como presidente, Bolsonaro pode optar pelo depoimento por escrito, como foi autorizado a Michel Temer que encaminhou ao Supremo respostas aos questionamentos feitos pelos investigadores no âmbito do inquérito dos Portos. Temer acabou denunciado no caso por corrupção e lavagem de dinheiro. No entanto, na última quarta, 3, o presidente afirmou que pode prestar depoimento presencialmente à Polícia Federal no inquérito. Bolsonaro disse ainda que o inquérito acabará sendo arquivado e que ele prestará esclarecimentos ‘sem problema nenhum’.

Além do possível depoimento de Bolsonaro, o pedido de prorrogação do inquérito feito pela PF citou uma série de diligências pendentes já determinadas pelas autoridades policiais, entre elas a verificação de edições na mídia que contém os arquivos de vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril – que foi divulgada quase na íntegra por ordem de Celso de Mello – e a finalização do relatório de análise das mensagens trocadas entre o ex-ministro Sérgio Moro e a deputada federal Carla Zambelli.

Christiane também havia indicado à Celso que aguardava atendimento do pedido de informações da produtividade operacional da Superintendência Regional da PF do Rio de Janeiro – pivô das crises entre Moro e Bolsonaro e ponto central do inquérito -, além do encaminhamento da cópia do inquérito policial que apura suposto vazamento relacionado à Operação Furna da Onça ao senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Também estavam pendentes o encaminhamento pelo juízo da 204ª Zona Eleitoral do Rio de informações sobre investigação sobre eventuais crimes eleitorais por parte dos familiares do presidente, e o envio, pelo minitro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno, de dados a respeito das trocas de comando da chefia de segurança de Bolsonaro e de seus familiares.

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