Teresina - PI

Lava Jato: PF pede prazo para concluir inquérito contra Firmino Filho

O juiz Paulo Roberto de Araújo Barros encaminhou ontem (15), os autos do inquérito policial ao MPE "a fim de que a autoridade policial possa concluir o referido inquérito em tempo razoável".

Gil Sobreira
Teresina
16/05/2018 08h41 - atualizado 09h04

O juiz Paulo Roberto de Araújo Barros, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, relator do processo que investiga o possível crime eleitoral envolvendo o prefeito de Teresina, Firmino Filho, no âmbito da "Operação Lava Jato", extraído das delações premiadas feitas pelos colaboradores José de Carvalho Filho e Alexandre José Lopes Barradas, encaminhou ontem (15), as 09h59min, os autos do inquérito policial ao Ministério Público Eleitoral para, “com a maior brevidade possível, dar prosseguimento à solicitação de dilação de prazo no IPL nº 038/2018-SR/PF/PI, a fim de que a autoridade policial possa concluir o referido Inquérito em tempo razoável”.

O processo teve origem no Supremo Tribunal Federal com a finalidade de apurar os fatos delatados pelos dois colaboradores e posteriormente houve o declínio da competência.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Prefeito Firmino Filho Prefeito Firmino Filho

A delação de Alexandre José Lopes Barradas

De acordo com depoimento relativo ao Termo de Colaboração n° 13 que prestou Alexandre José Lopes Barradas, inicialmente destacou que fez uma avaliação de todas as capitais e avaliava que Teresina tinha potencial para desenvolver projeto de saneamento, já que a Agespisa não prestava um serviço de qualidade. Assim, houve o primeiro contato com o prefeito Firmino Filho que sabia que Alexandre José Lopes Barradas era da Odebrecht Ambiental.

Foi destacado que o prefeito estava com dificuldades financeiras na campanha, pois enfrentava o candidato apoiado pelo governo do Estado e ficou combinado a solicitação de dinheiro para campanha.

Em 2012, o prefeito Firmino Filho recebeu a quantia de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais), por intermédio de um “laranja”, sob o pretexto de doação para a campanha eleitoral.

Alexandre José Lopes Barradas teve novo contato com Firmino Filho em 2013, já reeleito, para conversar sobre o auxílio que podia ser feito a Odebrecht Ambiental e destacou em seu depoimento que o prefeito criou condições para favorecer a empresa no projeto de saneamento da capital, como a criação da Agencia Municipal de Saneamento, “que constrangeu a Agespisa,por meio de multa”. Houve a licitação dos serviços, porém a Odebrecht Ambiental não venceu o procedimento.

A delação de José de Carvalho Filho

De acordo o depoimento relativo ao termo de colaboração n°39, prestado por Jose de Carvalho Filho, foi realizada uma doação no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), no contexto eleitoral, para cobranças de demandas futuras. O delator destacou que não houve um contato direto com o prefeito, mas com seu representante em Brasilia e o pagamento foi autorizado por Benedicto Júnior, que comandava o Setor de Operações Estruturadas da empresa, o chamado “departamento da propina”.

Depoimentos apontam crime de falsidade ideológica

Os depoimentos apontam crime eleitoral já que noticiam a falsidade ideológica na prestação de contas no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí do então candidato Firmino Filho, no ano de 2012.

A pena para o crime é a de reclusão até 05 (cinco anos) e pagamento de multa.

Outro lado

O prefeito Firmino Filho não foi localizado pelo GP1. O espaço está aberto para esclarecimentos.

MATÉRIAS RELACIONADAS

Dr. Pessoa critica silêncio de Firmino Filho sobre caso Lava Jato

Lava Jato: Polícia Federal investiga prefeito Firmino Filho

Lava Jato: Pedida abertura de inquérito para investigar Firmino Filho