Brasil

Planalto confirma Vilalva na presidência da Apex após impasse

Ex-presidente do órgão, Alecxandro Carreiro se recusou a ser demitido pelo chanceler Ernesto Araújo.

Por  Estadão Conteúdo
10/01/2019 20h36

Após impasse quanto à demissão de Alecxandro Carreiro da presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o Palácio do Planalto confirmou na noite desta quinta-feira, em nota, que o embaixador Mário Vilalva vai comandar o órgão. Ele foi indicado pelo chanceler Ernesto Araújo.

Em sinal de apoio, o presidente Jair Bolsonaro já se reuniu com Mário Vilalva, no Palácio do Planalto, ao lado de Araújo responsável pela indicação de Vilalva e pela demissão de Carreiro. O ex-presidente da Apex que se recusava a deixar o cargo até uma decisão do Presidente da República. A confirmação de Vilalva deve ser divulgada em breve.

  • Foto: Ministério das Relações ExterioresMário Vilalva se reúne com Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo no Palácio do PlanaltoMário Vilalva se reúne com Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo no Palácio do Planalto

Como mostrou a Coluna do Estadão, o novo embaraço na Apex, envolvendo a Carreiro, iniciou especulações na agência de que o próximo a ser substituído seria o próprio Ernesto. Sua participação em reuniões com Bolsonaro na tarde de hoje, no entanto, já sinalizava o apoio do presidente ao ministro, de acordo com fontes do Planalto.

Desde o anúncio da demissão, Carreiro mostrou a deputados do PSL troca de mensagens pelo WhatsApp que comprovariam que ele não pediu para sair como informou o ministro nas suas redes sociais, mas foi forçado a deixar o cargo na Apex.

Nesta quinta, Carreiro também procurou interlocutores no Palácio do Planalto para apresentar sua versão. Segundo assessores de Bolsonaro, ele não foi recebido pelo presidente da República. Ernesto Araújo, por sua vez, teve uma reunião com o ministro Augusto Heleno (GSI) logo no início da manhã.

Impasse

Ao longo do dia, Carreiro despachou normalmente no prédio do órgão. Segundo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, ele não aceita ser demitido por Araújo e decidiu continuar atuando enquanto não for exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A Apex confirmou, em nota, que Carreiro “nomeado para o cargo pelo presidente da República”, cumpriu expediente normal na agência hoje, “tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado”. A agência, no entanto, não informou quem foram as autoridades recebidas pelo presidente.

Na quarta, Ernesto Araújo disse, no Twitter, que Carreiro pediu “o encerramento de suas funções como Presidente da Apex”. No mesmo tuíte, Araújo disse que tinha indicado o embaixador Mario Vilalva a Bolsonaro.

Interlocutores de Carrero, no entanto, alegaram não foi isso que ocorreu. Carrero teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência, a diretora de Negócios Letícia Catel, que atuou como assessora de imprensa durante a transição.

De acordo com fontes, Letícia, que é próxima de Araújo, não gostou de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo e queria reverter as exonerações. Na reunião, Araujo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou. Ao sair do encontro, o chanceler publicou o tuíte. Carreiro viu nisso uma tentativa de criar um “fato consumado” e forçá-lo a sair do cargo.

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