Teresina - PI

Covid-19: diretor do São Marcos esnoba uso da cloroquina, mas hospital adota medicamento

O diretor Joaquim Barbosa de Almeida Neto excluiu a publicação após repercussão negativa e escreveu um novo texto, afirmando que a “ciência é feita de erros e acertos”.

Andressa Martins
Teresina
21/05/2020 16h19 - atualizado 16h26

O diretor adjunto do Hospital São Marcos e advogado, Joaquim Barbosa de Almeida Neto, usou as redes sociais nessa quarta-feira (21), para criticar o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Apesar da opinião do diretor, o hospital adota o uso do medicamento inclusive em casos leves da doença.

“A audiência do dia 19 na Justiça Federal precisa ser publicada. Enquanto os autores apresentaram como 'publicações científicas' artigos da revista Exame, mais de 68 publicações científicas demonstraram a falácia dos argumentos. E ficou provado que a Espanha não adota o famoso protocolo mágico. Ficou feio para os médicos da cloroquina. Muito feio”, escreveu o diretor no Facebook.

  • Foto: Reprodução/FacebookPostagem de Joaquim Almeida Postagem de Joaquim Almeida

A audiência a qual Joaquim Almeida se refere ocorreu no dia 19 e foi mediada pela juíza federal Marina Rocha Cavalcanti, da 5ª Vara Federal Cível. Tratou-se de uma audiência de identificação de posições, com representantes do Governo do Estado do Piauí, da Prefeitura Municipal de Teresina, da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), e do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), onde foi discutida a possibilidade de se adotar, na esfera estadual e municipal, o protocolo médico que prescreve o uso de hidroxicloroquina no tratamento de covid-19. O resultado da audiência ainda não foi divulgado pela Justiça Federal.

Protocolo do São Marcos

O uso do medicamento foi adotado no Hospital São Marcos como um dos principais medicamentos de combate a covid-19. Conforme o protocolo do hospital, pacientes do grupo de risco que apresentem quadro clínico leve são tratados com Hidroxicloroquina, Oseltamivir, Azitromicina e Ivermectina.

São considerados do grupo de risco pessoas com mais de 60 anos, tabagistas, hipertensão arterial, asmáticos, doença meningocócica, doença pulmonar obstrutiva crônica, pacientes oncológicos, imunossuprimidos, obesos e profissionais de saúde.

Nos quadros moderado e grave, além da medicação descrita acima, o hospital acrescenta Ceftriaxona e Metilprednisolona. Caso não haja hidroxicloroquina, o protocolo do São Marcos indica cloroquina e pede o acompanhamento individual do paciente.

Veja o protocolo do Hospital São Marcos abaixo ou clicando aqui

Após repercussão negativa, Joaquim Barbosa apagou publicação

O diretor adjunto excluiu a publicação após repercussão negativa e escreveu um novo texto, afirmando que a “ciência é feita de erros e acertos” e que não considera “ilegítimo o esforço feito pelos médicos locais que recomendam o uso da cloroquina nos estágios iniciais da doença”.

Joaquim Almeida disse ainda que o erro fundamental se encontra na “politização” do assunto e se desculpou por também ter feito a publicação. “Eu sou o primeiro a me penitenciar. Eu também errei ao politizar a questão e não entender o esforço de profissionais sérios que merecem todo o respeito. Creio que todos agem de boa fé e querem é salvar vidas, isso é o que importa. Peço desculpas àqueles que me seguem por ter caído também nessa armadilha funesta”, escreveu.

O diretor, no entanto, entendeu que “cabe aos médicos e não ao poder judiciário decidir qual tratamento deve ser adotado” e criticou o presidente por defender o uso da medicação.

Confira a publicação na íntegra:

Ciência é feita de erros e acertos . Só há avanços para a verdade com experimentação . Há no mundo inteiro um grande...

Posted by Joaquim Almeida on Thursday, May 21, 2020

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