Política

Procuradora diz que Bolsonaro ‘não tem poderes’ para acionar PF

Chefe da Lava Jato em São Paulo Janice Ascari indicou que o presidente não pode determinar que Polícia ou o Ministério Público realizem diligências em investigações.

Por  Estadão Conteúdo
30/10/2019 11h14

A Procuradora da República Janice Ascari, que comanda a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, afirmou na manhã desta quarta, 30, que o presidente Jair Bolsonaro ‘não tem poderes’ para determinar que Polícia ou o Ministério Público realizem diligências em investigações. O comentário se deu em resposta à afirmação do presidente de que acionará o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que Polícia Federal interrogue o porteiro que citou seu nome durante a investigação do caso Marielle.

O colocação da procuradora foi feita em seu perfil no twitter. “O Presidente da República não tem poderes para determinar à Polícia ou ao MP (que é o único destinatário do inquérito policial) a realização de diligências para a condução de uma investigação criminal”, escreveu.

Ao sair do hotel onde está hospedado, em Riad, na Arábia Saudita, o presidente afirmou: “Estou conversando com o ministro da Justiça para a gente tomar, via Polícia Federal, um novo depoimento desse porteiro pela PF para esclarecer de vez esse fato, de modo que esse fantasma que querem colocar no meu colo como possível mentor da morte de Marielle seja enterrado de vez”.

Reportagem exibida nesta terça-feira, 29, no Jornal Nacional, da TV Globo, revelou o depoimento que cita o presidente, dado por um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa, um dos dois acusados de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes.

O porteiro afirmou à Polícia Civil que, às 17h10 de 14 de março de 2018 (horas antes do crime), um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, o outro acusado pelo duplo homicídio) entrou no condomínio dirigindo um Renault Logan prata e afirmou que iria à casa 58, que pertence a Bolsonaro e onde morava o presidente.

A citação ao presidente pode levar a investigação do caso Marielle ao Supremo Tribunal Federal.

Durante transmissão ao vivo, Bolsonaro rechaçou qualquer envolvimento com a morte de Marielle. “Não devo nada a ninguém. Não tenho o menor motivo para mandar matar quem quer que seja”. O presidente ainda atacou a TV Globo: “Será que a Globo quer criar um fato, uma narrativa, de que eu deveria me afastar? Deixem eu governar o Brasil. Vocês perderam.”

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