Coronavírus no Piauí

Sesapi descobre caso de covid-19 em paciente com síndrome de Guillain-Barré

O caso foi detectado em Teresina e possivelmente é o primeiro documentado no mundo.

Thais Guimarães
Teresina
21/10/2020 16h02 - atualizado 18h16

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) emitiu comunicado nesta quarta-feira (21), informando que está investigando a presença do novo coronavírus (covid-19) no sistema nervoso de um paciente com a síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica rara. O caso foi detectado em Teresina e possivelmente é o primeiro documentado no mundo.

O exame que detectou a infecção foi realizado no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PI). O material genético do novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi detectado no líquido cefalorraquiano do paciente vitimado recentemente pela síndrome de Guillain-Barré, o que é um achado inédito, sendo o primeiro caso documentado no mundo em que o vírus é detectado no sistema nervoso de um paciente com a doença, segundo a Sesapi.

De acordo com a Sesapi, diante dos indícios iniciais de que a covid-19 poderia atacar o sistema nervoso dos indivíduos, o programa local de vigilância epidemiológica dos agravos com manifestações neurológicas passou a incluir a pesquisa do SARS-CoV-2 no líquido cefalorraquidiano dos pacientes a partir de maio de 2020 no Lacen.

Segundo o neurologista Marcelo Adriano, coordenador do programa local de vigilância epidemiológica da Sesapi, já existe registro de alguns casos de síndrome de Guillan-Barré sob relação temporal com a covid-19 no mundo, mas esse provavelmente é o primeiro caso documentado em que houve a detecção de partículas virais específicas no líquido que circula no sistema nervoso do paciente. Mesmo reconhecendo a importância desse achado, o especialista prefere manter cautela quanto à atribuição de causa da síndrome ao novo coronavírus.

“Ainda estão sendo realizados testes para outros agentes infecciosos comprovadamente relacionados à síndrome de Guillain-Barré; além disso, estudos mostram que fragmentos já inviáveis do vírus podem permanecer detectáveis por longos períodos em alguns locais do organismo, mas destituídos de infectividade e de poder agressivo”, afirmou o médico.

Ainda conforme a Sesapi, apesar desse achado, o monitoramento da vigilância da síndrome de Guillain-Barré no Piauí não registrou aumento do número de casos durante a pandemia de covid-19, em 2020.

O Lacen vai encaminhar amostra do líquido cefalorraquidiano ao Laboratório de Referência em Vírus Respiratórios do Ministério da Saúde, para análises aprofundadas que tentarão esclarecer como o vírus invadiu o sistema nervoso do paciente. O Ministério da Saúde já foi notificado do caso.

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